sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Olhos

Penso que deverias gostar dos meus olhos grandes e do acastanhado deles.
Ainda que não eloquentes, carinhosos.
Ainda que não prepotentes, cativantes.
Ainda que não fortes, envolventes.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Incomum



Meus traços e rabiscos
E seus espelhos -
os olhos estão nas sombras
- não nas formas.
Os olhos estão lá
além do comum.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

É Natal

     Boa noite a todos. Esta não é uma noite especial, nem diferente de todas as outras. É uma noite serena e pacata, como tem sido tantas outras que temos vivido. Ela também não é diferente da noite do primeiro Natal. A maioria das pessoas já havia encontrado lugar nos hotéis e pousadas da cidade de Belém. Um grande fluxo de pessoas movimentou as ruas de Belém durante o dia, em função do censo que haveria ali. Mas à noite, tudo se aquietava e as mamães já envolviam seus meninos nos lençóis de dormir. Talvez a única grande diferença entre esta noite e aquela noite é que em Belém, naquela época, não havia luz elétrica. Então, o céu de Belém era visivelmente cintilante - e incomparavelmente mais brilhante. Um humilde casal, montado em um jumentinho, ainda vagava pelas ruas frias à procura de abrigo. Exatamente como na noite de hoje. Homens, mulheres, mulheres grávidas, e até crianças, ainda permanecem vagando pelas ruas frias da cidade. Muitos acolhem-se em árvores, outros em barracos improvisados, alguns, em quintais cedidos, uns outros, em estrebarias. Foi o caso daquele simpático casal, que, com gratidão, aceitou abrigo junto ao gado e a palha seca. Ali, cumpriram-se os dias, e a jovem esposa agora se tornava uma jovem mamãe. Qual não foi a alegria dos papais ao contemplarem o primeiro chorinho, o primeiro risinho, a primeira noite de sono. À janela, podia ver o céu sorrindo, brilhando como pisca-pisca diante do recém-nascido. Ali, sim, diante do céu e dos olhos que o puderam ver, dormia um menino diferente. O chorinho era o mesmo de todos os bebês; o sorriso, tão encantador quanto o foi o nosso aos nossos pais. Mas o coração, não. Nascia ali um rei, que a despeito de sua majestade, dormia onde as vacas faziam refeições. Não obstante sua primazia, não houve lugar em nenhuma hospedaria para recebê-lo.

"Ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles." Mateus 1.21

     Se você estivesse vivo naquela noite e lhe fosse anunciado que o Rei do mundo havia nascido e que Ele, quando crescesse, livraria você da morte, te daria uma vida nova e perdoaria todos os seus pecados, o que você faria? Iria ao encontro dele? Você iria querer segurá-lo em seus braços? Se o próprio Deus, de alguma forma, te mostrasse que aquele acontecimento não era lenda ou uma brincadeira de mal gosto, mas, de fato, verdade, qual seria sua reação?
     Eu faria como Simeão: "Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos; luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel." Lucas 2.29-32

sábado, 10 de dezembro de 2011

Peso



Sinto o peso do meu corpo:
Uma tonelada ou mais.
E o que me impede de seguir
Não é o que não me satisfaz.
É o eu em ruínas,
Marcado de muitos ais.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Soldoso




Fitou-me como se me amasse.
Deixou-me como se pudesse.
Amou-me como se soubesse.
Beijou-me como se partisse.

[fotos minhas]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Maria

O mar em banho de sol
Enquanto o dia se estendia.

Maria seguia sozinha.

O mar ia e vinha.
Maresia.

Maria ia.
Sozinha.

Maria só ia.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nublado

E eu abdiquei da resposta:
Por que o céu se vestiu de cinza?


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sorria?



Pés silenciosos, os de Maria.
Desliza os dedos n'água,
vislumbrando a praia
ao deleite do crepitar do vento.

Maria escuta o silêncio
E encolhe-se, comovida
ao sussurro da concha.

Maria risca a areia devagar.
Estende os olhos derramados no mar.
Solta um suspiro clemente.

As mãos de Maria estão quentes
mergulhadas no calor da terra.

A despeito de ver pessoas,
objetos de pesca, canoas,
Maria está a sós.

E a despeito das vozes,
das batidas, do barulho
sai-lhe em voz involuntário murmúrio:

Existe lugar para a tristeza
Na terra onde mora o mundo?



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aurora



Espera que a manhã já vem:
Claro e pleno alvorecer.
Rompe a noite, sol a nascer,
Trazendo o cheiro de um bem.

Espera que a manhã já vem
Surpreendendo em melodia!
Dançando frestas de poesia,
Singelos traços de vida-além.

Aguarda a luz que se revela
Que rasga a densa tristeza,
Que banha a face em beleza,
E a paz no coração, sela.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Especial - Djavan

Ontem aconteceu o recital de música dos alunos de técnica vocal e canto coral da Escola Municipal de Música de Mossoró-RN. Na apresentação, eu cantei a música Meu. Estava super nervosa, mas acho que deu certo! haha.


Espero que gostem! Beijos a todos!
Mima.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os pássaros


Na varanda, fez-se um ninho.
Formaram-se dois ovinhos
Mas só um sobreviveu.

Papai trabalhava de vigia
Imóvel recruta no fio do poste
A despeito de seu pequeno porte.

Mamãe voava quando nos via
Mas logo voltava a sua cria
E, destemida, a protegia.

Por esses dias, chegou a hora.
Já não era o bebê de outrora:
Tempo de conhecer mundo afora.

Papai e mamãe no fio do poste
Assistiam temerosos seu filhote:
Voa, filhinho! Boa sorte!

Primeiro vôo, às folhas da palmeira
Mas o medo foi tão grande
Que lá passou a noite inteira.

Mamãe e papai voltaram
E, pelo jardim, muito voaram
Mas não o encontraram.

Nós o trouxemos nas mãos
De volta ao lar na varanda
Onde pudesse estar seguro.

E hoje, foi de emocionar:
Encontramos toda a família
Juntinha em seu lar, doce lar.

Os pássaros têm seus ninhos
Onde podem habitar
E eu, o que tenho?

Tudo o que tenho é o Teu lugar
Um lugar onde posso me abrigar
E, em paz, o coração descansar.

domingo, 6 de novembro de 2011

Por quê?



Será que foi meu rosto assimétrico?
Ou minha pequena estatura?
Ou meu cabelo curto?

Será que foi minha visão política?
Ou o lugar onde moro?
Ou o fato de eu não comer cebola?

Será que foi o tamanho do meu amor?
Ou a quantidade de beijos que eu dei?
Ou os presentes que eu mesma fiz?

Será que foi a minha iniciativa?
Ou o meu cuidado?
Ou a minha poesia?

Será que foi algum esquecimento?
Ou o meu sonho de 'pra sempre'?
Ou o fato de eu já estar em suas mãos?

O que será que fez o meu amor ir embora?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Observei em mim...

que agora parei de mudar a cara do blog. Ah, não. Não é que essas sejam as cores ideais para ele. A figura de fundo também não expressa tudo o que eu espero que expresse. As fontes também não são as melhores. Mas notei que quando a vida se aquietou, as mudanças por aqui ficaram mais escassas. A minha inquietação interior mexe com as posições dos objetos do meu quarto, com quantas vezes eu tenho que voltar à cozinha pra lembrar o que eu ia dizer, com o tempo gasto diante da geladeira aberta, pensando no que é mesmo que eu queria pegar lá, com quantas vezes eu aperto o botão do canal da TV, com quantas vezes por mês eu mudo a cara do blog. O momento de agora expressa que as coisas não são o que deveriam ser, e ainda assim,está tudo bem. Parece que agora meu quarto está estaticamente bagunçado. Eu não volto mais pra cozinha pra tentar lembrar - simplesmente, esqueço e pronto. Se não lembro o que ia pegar na geladeira, eu pego qualquer coisa, ou fecho a geladeira quando passa o transe, e vou ver TV. E quando estou na TV, assisto o episódio de Friends até o fim, mesmo que eu já tenha visto, ou assisto um filme dublado na TNT, sem achar ruim. Não mudo a cara do blog e nem penso que queria mudar alguma coisa, mesmo que eu me lembre do painel que eu queria pôr nele mas nunca vou saber desenhá-lo. As coisas nem sempre são como deveriam, mas nem sempre são ruins por isso... Minha mãe sempre me dizia isso quando eu, criança, insistia, mas ela não podia comprar meu kit de esquiar. Mas só agora vou entendendo o que significa.


Mentira



Os dias (in)tranqüilos,
O vento em seus olhos
fechados:
cadeados do coração.

Nas horas da noite
Lamenta o travesseiro.

Os fantasmas sussurram-lhe
um tormento infernal
e você nem se dói.

Aquelas certas palavras
-as palavras certas-
trancadas no porão da alma
Nem se quer lhe são lembradas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sol, que tão só
só se estende
e vai, lentamente
e solidário
fazendo seu trabalho
solitário.

Sorridente,
Sorve a dor em
dia inteiro.
E a solidão
faz-se luzeiro.
Solução do só(l).



sábado, 29 de outubro de 2011

Saudade



A saudade é uma ferida aberta.

O tempo é colorido
como vacina em gotinha.

A dor, todavia, faz-se gemido
com o mais suave toque.

A saudade é uma ferida
que não sara com vacina.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Formiga


A gota de orvalho parece-me um rio.
O caminho que me leva ao jardim,
as distâncias do mundo.
E os olhos enxergam gigante
o pequeno vaso pendurado na varanda.

A pequenina flor é meu ninho de dormir
e o pedaço de céu que eu vejo
é a plenitude do infinito.

A minha culpa faz de mim formiga.
Pequena e frágil formiga.

A Tua graça faz da flor, um ninho
da gotinha, um rio
da janela, um mundo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vagão

as árvores fugindo
as casas à beira
do caminho,
cores tristes
cheiro de chuva.

crianças e fantasia
seu pais dormindo
no caminho,
flores e frutos
cheiro de vinho.

a janela molhada
cabeça reclinada
pelo caminho,
olhos no trem,
coração na estrada.

eu vi uma viagem
perdida em jornada
trilhando miragens
sonhando acordada
sem mapa nem nada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Das coisas que importam...


Que o amor não esfrie,
Que a fé não canse,
Que a esperança não desespere.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sobre o vento - Crombie

Câmbio



O dia começa cedo. O café é um break, o almoço é fast food. O descanso é a hora do rush. Os melhores amigos estão no facebook. Abraço é ultrapassado. Hoje se cutuca ou se comenta as novas fotos do álbum virtual. Quanto mais tempo você passa no twitter, melhor você conhece os seus amigos. Ai ai... os elos são tão profundos... chego a pensar que maravilha é não precisar das pessoas. Nesse mundo tão altruísta, temos o privilégio de estar por dentro de tudo sem nos envolvermos diretamente com os problemas dos outros. Existe vida pós internet? Favor, fazer contato. Câmbio.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Eco



Dizem que nunca se sabe
o que se passa do outro lado.
Mas se existe algum remoto afeto
Onde está o menor dos cuidados?

O tanto amor que lhe dispus,
O tanto de mim que se lhe fez livre
Hoje colhem espigas secas
Dos campos que ainda vivem.

Nenhuma palavra sua
Pronunciou-se naquele dia;
E o silêncio até hoje se perpetua.

O som que até hoje existe
É o único no percurso:
o eco do meu grito triste.

Do choro.



Minhas leituras se estacionaram em algum lugar do tempo.
Em algum outro lugar, distraiu-se o amor. O amor nunca me acompanha o passo.
Só quem não me deixa sozinha é o rio, que vai desenhando o meu caminho,
suspirando seus barulhos como se me olhasse aflito,
flutuando sua tristeza e me convidando a transbordar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Sede

No ninho, a sede
do céu, o anseio
do chão, a busca
do oceano.

No beijo, a fome
do amor, a caça
da paz, a sede
da guerra.

No dois, a espera
do três, ansiedade
do já, expectativa
do sempre.

No muito, a sede
do mais, a fome
do infinito, a sede
do inteiro.

No hoje, espera
do amanhã, saudade
do ontem, a sede
do que é bom.

No ímpar, a falta
do par, saudade
do ímpar, a sede
do par outra vez.

No eu, a busca
do nós, espera-se
a solidão, a sede
de ser completo. 


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Da força de amar



Você descobre que está aprendendo a amar uma pessoa quando continua amando mesmo depois de ter sido profundamente desapontado por ela.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um

Um deserto, um coração,
Um oceano, um abraço à alma,
Uma alma calada, um corpo só.
Um choro minguado,
Uma noite fria,
Um silêncio.

Um, porque um é Deus.
Um é o sol.
Uma é a lua e só.
A morte é apenas uma.
A vida é ímpar também.

Ainda que outro eu fosse,
um só seria.
Na dor e na alegria.
Solitária solidão - canção
da voz que soletra
um canto
sozinha.

Jemima Moura.






P.s. Gente, estou voltando aos poucos. Estou um pouco melhor nesses dias. Quero agradecer pelo carinho de todos! Muito obrigada, pessoal. Beijõesões.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais uma pausa no jardim



Gente, infelizmente, por motivo de saúde, estarei distante do blog por uns dias. 
Sentirei saudade de todos - mas espero poder voltar em breve.

Um beijo carinhoso em cada um de vocês, queridos viajantes que, de passagem, 
visitam meu pequeno jardim. Eu não mereço suas ilustres visitas. Fico feliz em tê-los aqui!

Busquem a Deus.

Carinhosamente,

Mima.

domingo, 2 de outubro de 2011

Fértil Deserto



Hoje me deu uma louca vontade de escrever. 
Aliás, todos os dias a minha mente ferve, procurando, ardentemente, seu oásis nas dunas das palavras. 
Os desenhos que elas formam caberiam em uma garrafinha de souvenir. 
Mas são muito mais bonitos quando na vastidão dos desertos - áridos terrenos poéticos. 
Quem me dera ter lido Fernando Pessoa, 
Guimarães Rosa, Mário Quintana, 
Manuel Bandeira, Drummond. 
O meu mundo inteiro seria um deserto - e minhas dunas... 
oásis.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mar à Vista


Eu não sei
que será de mim
Eu não sei
E nada me importa saber
Eu só sei
Que havia um mar à vista ali
Você passou assim por mim
E eu me perdi.

(Djavan)
(Música que escolhi para cantar no recital de fim de ano, no especial de Djavan, da Escola Municipal de Música, onde tenho aulas de Canto I).

Pollyana



A menina segurou o candelabro com ambas as mãos e o trouxe até à cama com mil cuidados. Pendleton foi então, destacando os pingentes e depondo-os sobre o travesseiro até formar uma dúzia.
- Agora, minha cara, leve-os e pendure-os no fio. Se realmente deseja viver num mundo de arco-íris, vai tê-lo já.
Só depois que Pollyana pendurou o quarto é que notou o que sucedia, e tão excitada ficou que as mãos lhe tremeram e foi com dificuldade que pendurou os demais. Mas completou a obra e recuou dando gritos de alegria.
O aposento se transformara num sonho de conto de fadas. Por todos os lados luzes que dançavam, vermelhas, azuis, verdes, roxas, alaranjadas, cor de ouro - pelas paredes, pelos móveis, pelo corpo de Mr. Pendleton.
- Oh, oh, oh, que maravilha! Estou vendo que até o sol quer jogar o jogo do contente, não vê? exclamava a menina delirante, esquecida de que o homem nada sabia de tal jogo. Que bom se eu possuísse uma porção destes geniozinhos de cristal, para dá-los a tia Polly, a Mrs. Snow e a tanta gente mais! Como haviam de ficar alegres! Até tia Polly era capaz de ficar contente a ponto de bater três portas, ela que jamais bateu uma só. Viver dentro dum arco-íris assim!...
Pendleton sorria, enlevado.
- Pelo que conheço de sua tia, Pollyana, suponho ser necessário algo mais que uns pingentes ao sol para fazê-la bater portas! Mas que quer dizer o tal jogo?
- Ah, esqueci-me que o senhor não o conhece ainda.
- E por que não me ensina?
Chegara o momento. Pollyana contou a história toda, a partir das muletinhas que vieram na barrica em vez de bonecas, e tudo contou sem olhar para o ouvinte, tanto lhe prendiam os olhos aquelas luzes coloridas.
- Pois é só isso, disse ao terminar - e agora o senhor poderá compreender a minha ideia quando disse que o sol estava também a jogar o jogo do contente.
Fez-se um momento de silêncio; ao cabo a voz do homem ressoou, fraca e comovida.

(Pollyana, p.111)

Pollyana foi um livro escrito por Eleanor H. Porter,
nos Estados Unidos, 
publicado em 1913,
e considerado um clássico da literatura infanto-juvenil. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Reflexo roto

Hoje eu vi meus poros abertos na face do espelho. Eu senti falta do meu cabelo cacheado e me dei conta que minha sobrancelha está desfeita há meses. Hoje eu vi a verdade das minhas falsidades. Meu cabelo é loiro tinto e eu não tenho mais o mesmo rosto de antes. Só meus óculos que não mudaram de formato. Hoje eu vi que eu não faço minhas unhas desde a última estação - e elas crescem desorganizadamente. Eu lembrei o porquê de eu dormir na cama de baixo: é que eu não preciso arrumá-la - só arrastá-la pelas rodinhas. Hoje eu comprei um livro de Fernando Pessoa - e descobri porque eu não sou intelectual. Hoje eu tive vontade de ser intelectual. Eu tive vontade de arrumar a cama, ler livros, cortar as unhas, ter meus cachos de volta - e mudar o formato dos meus óculos. Hoje eu me enxerguei no espelho - e até falei de mim no telefone com a minha amiga irmã. Hoje eu dei de cara com a minha solidão - e com as culpas que admiti partes do cenário desse meu reflexo roto no espelho. Hoje eu tive vontade de, com menor crueldade, ser autenticamente eu.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cabresto

          Estou a um passo do futuro. Eu sei que o caminho que eu vou seguir vai me levar até lá. E eu estou tão feliz por isso! Quando paro para digerir a ideia, meu coração faz cambalhotas dentro de mim! Eu sei que estou bem... um sonho prestes a se realizar, e eu estou ansiosa por tudo o que virá.
          Mas eu não posso parar de pensar nenhum segundo no futuro, porque se eu parar, você me aparece - e eu sei que você não aparece porque quer. De toda forma, a imagem de seu sorriso de barba ralinha me faz lembrar que eu não deveria estar vivendo isso sozinha.

Esquecimento

Anestesia.
Máscara de alívio.
Sensação de quase morte.
Que o coma não passe -
que a velha se disfarce de
donzela -
e me transpasse.
E só me apareça
quando eu for a velha
e já me seja normal
cantar para ela.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tristeza



Hoje ela suspirou.
Eu sentei ao seu lado.
Nada lhe disse.
Ela sabia
da nossa comum
saudade.

Crombie


Crombie. Música simples e inteligente.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Mudança



Eu vivo mudando
as cores, o timbre, a forma.

Eu inconformada
informo à forma
da reforma informal
das minhas formas
que não se transformam
definidamente.

Indefinida
mudança

metamorfose
formosa
forma
de formar formas.

Contorço-me forçando,
forjando,
formigando pelo novo
momento
mudo
da mudança.

As cores
embotadas
dentro
tingem
dores de vento
sopram
formação:
erosão.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Asco



Caberia coerência?
Sou repugnante.
O maior medo de mim.

Uma semana de porre

          O dia no clube estava quente e pulsante - para uma criança de 7 anos. A piscina era o lar da pequena sereia, que nadava e dançava imaginando-se princesa, filha de Tritão. Nada mais existia fora da água. Só conseguia respirar dentro d'água, por onde via belos corais, peixes falantes e bichos esquisitos - e de onde ouvia as festas que a faziam rodopiar sozinha, entusiasticamente, no meio de algumas crianças normais. Tudo estava perfeito até ela lembrar que sentia fome e sede.
          Saiu do seu habitat quase natural e foi-se saltitando pelo clube, esmorecendo-se de sede. O salão de mesas estava pouco movimentado naquela manhã. Alguns copos sobre a mesa, algumas bolsas e toalhas sobre as cadeiras, algumas poucas mesas ocupadas.
          A sua sede não a permitiu chegar primeiro à mesa de seus pais. A primeira mesa que cruzou no salão sustentava uma taça metade cheia de um refrigerante que parecia geladinho e saciante. A menina não pensou duas vezes e deu um gole caprichado no gentil refrigerante que lhe acalmaria a loucura! Pfffffffffff! Cuspiu no instante seguinte e correu agoniada ao encontro dos pais.
          - Painho, painho! Eu estava na piscina, aí fiquei com sede, aí eu vim para beber alguma coisa, aí eu encontrei uma mesa que tinha um copo de refrigerante bem geladinho, aí eu bebi e aí depois eu cuspi, porque era um refrigerante muito ruim! Eu acho que está estragado! Eca, eca, eca!
          - Calma, filha, calma. Qual foi o refrigerante que você bebeu? Aponte pra mim!
          - Foi naquela mesa ali, ó!
          - Sente aqui. Escute: primeiro, aprenda uma coisa: Nunca beba nada que estiver no copo de outra pessoa, principalmente no copo de alguém que você não conhece. Isso não é bom pra sua saúde. O resto de refrigerante que fica no copo é chamado de sobejo, que quer dizer sobra. Deixa as sobras do refrigerante lá. Não são suas. Segundo: o que você bebeu não foi refrigerante, filha. Aquilo ali é cerveja. E eu não quero mais você bebendo no copo de ninguém. Toda vez que você tiver sede, venha aqui que papai vai dar o que você precisa.
          O coração pulou enlouquecido. "Oh, cerveja! Eu bebi cerveja!" estremeceu a pequena menina. E a conta foi paga, a família entrou no carro para voltar pra casa, tudo indo em paz e tranqüilo com todos. Menos com a pequena sereia, que agora nem se imaginava mais criança, e se via esquecendo de tudo durante uma semana inteira. E parava estremecida, culpando-se de seu primeiro porre de cerveja na vida.

domingo, 25 de setembro de 2011

Alegria


Alegria pode ser palavra monossílaba,
uma mordida na melancia,
uma frase de palavras trocadas.

Alegria pode ser um banco de praça.

Alegria pode ser uma fotografia,
um sapo de língua frouxa,
um passarinho na janela.

Alegria pode ser algodão doce.

Alegria pode ser girar,
pode ser correr,
ou talvez parar.

Alegria pode ser um carrinho de mão.

Alegria pode ser esquecer.
Para alguns, lembrar.
Para outros, ambos, talvez.

Alegria pode ser uma saída.

Alegria pode ser chorar,
calar, dormir, pintar
morrer, nascer, colher.

Alegria pode ser sorvete.

Alegria pode ser um beijo
e pode ser um pedaço de queijo.
Alegria pode ser até desejo.

Alegria pode ser um bocejo.

Alegria pode ser um pão
uma moeda
um fiapo de atenção.

Alegria pode ser João.

Alegria pode ser um telefonema
uma carona
ou um guarda-chuva.

Alegria pode ser um latido na rua.

Alegria pode ser um tapete
um tropeção
uma vergonha.

Alegria pode ser tristeza.

Alegria pode ser um som
uma lâmpada
ou um quarto de escuridão.

Alegria pode ser sangue.

Alegria pode ser nada.
Pode ser qualquer coisa.
Ou tudo.

Pode ser engraçada.
Pode ser um luto.

Pode ser uma flor - ou apenas uma cor.

Alegria.
Pode ser - alegria.
Ser.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma grande descoberta



          Eu tinha entre 5 e 6 anos (isso eu sei, porque foi na antiga casa - mudei para esta de agora quando eu tinha 7 anos). Meu pai  e eu estávamos sentados no tapete azul da sala. Ele assistia televisão; eu escrevia - não lembro se desenhava ou se fazia a lista de chamada dos meus alunos - imaginários. (Eu já era professora naquela época - ê vida.). De todo modo, eu não conseguia ficar totalmente desligada do filme. Era um filme de guerra. Eu escrevia um pouco, mas com o barulho do filme, me distraía e olhava para a televisão. Mas eu via tanto sangue que me assustava e voltava a escrever. E, nesse vai-e-vem de olhares, meu pequeno coração não agüentou: 
- Ai, painho, isso é tão triste!
          Meu pai, com um riso curioso, respondeu-me perguntando:
- O quê, filha?
          E eu, aflita, respondi:
- Esse filme... tão violento...
          Meu pai concordou:
- É, filha. É um filme de guerra. É triste mesmo.
          E eu, crente de minha sabiologia, soltei:
- É muito triste que tanta gente tenha morrido só por causa de um filme!! Quem são essas pessoas que dão a vida assim, só pra fazer um filme? Por que elas fazem isso? Só pra gente assistir depois? Será que obrigam elas a morrerem?
          Meu pai não se agüentou e caiu na risada:
- Não, filha!! Elas não morrem de verdade!
- Como não, pai? Você não tá vendo todo esse sangue?
- É sangue de mentirinha, meu amor! É catchup! Tinta vermelha! Mas não é sangue! É tudo de mentirinha!
          Meus olhos se arregalaram diante daquelas cenas. E cada vez mais eu olhava, tentando acreditar que era mesmo tudo teatrinho. Eu esqueci o desenho (ou a lista de chamada) e fitei os olhos nas pessoas morrendo, no sangue, na guerra e... no alívio de saber que tudo aquilo não passava de um filme.
          Daquele momento em diante, muita coisa mudou. Eu sabia um segredo muito importante. Eu já era crescida, afinal. A verdade veio à tona. Eu talvez estivesse quase pronta para saber que Papai Noel não existia.

Só sabe quem sente

          Quando eu era criança, eu amava as aulas de Ciências. Aprendi, numa delas, que as plantas são seres vivos, porque nascem, crescem, alimentam-se, reproduzem-se e morrem. Desde que soube disso, passei a ter medo de pisar no mato - porque se ele era vivo, ele podia não gostar de mim se eu ficasse pisando nele. E eu também não gostaria de ser pisada assim. Devia doer. 
          Eu lembro de algumas situações em que eu, sutil e desconfiada, olhei pros lados (só pra averigüar se alguém me via) e falei baixinho pra plantinha: "Desculpa! Pisei em você! Ui... essa doeu... Desculpe..." E assim, saía pelas calçadas, pulando entre um matinho e outro e conversando com eles, tentando de tudo para não machucá-los.
         Eu acho que eu achava que ninguém falava com as plantinhas - porque todo mundo achava que elas não entenderiam nada. Mas... pensando, agora, com mais idade: quem já se tornou planta para ser apto a dizer o que ela sente?


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia e Noite

Ele abriga em si o brilho de tudo o que se vê.
Ela traz calmaria, quietude, silêncio para escrever.

Ele rege o canto silencioso dos girassóis.
Ela desaquece as vozes dos rouxinóis.

Ele alimenta, fortifica, medicina as flores.
Ela as recolhe, prevenindo-lhes dissabores.

Ele banha de vitaminas os meninos pequeninos.
Ela os embala em seus aquecidos bercinhos.

Ele dá cor aos corpos expostos em maresia.
Ela cintila os olhares dos mergulhados em poesia.

Ele movimenta imperativamente a vida no mar.
Ela sopra grandes ondas para encherem o luar.

Ele vive o tempo esperando só por ela.
Ela o beija com carinho quando o vê na passarela.

Ele não sabe viver sem sua senhora.
Ela não se importa com as inquietas horas.

Ele prepara o mundo para ver a sua princesa.
Ela, para vê-lo, veste-se de marinho e turquesa.

Eles não projetam muito acerca do amanhã.
São plenos de alegria com a recente manhã.

E, assim, o casal me traz a diária certeza
De que basta-me o hoje e sua unitária nobreza. 


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Bonita

Meus olhos hoje armaram-me um complô:
Derrubaram-me os maldizeres
Por causa de uma conspiração.

Meu sorriso aberto riu-se de minhas lágrimas
E tudo de mim se voltou contra mim
Sussurrando-me, sim, o que custo acreditar:
Bonita!

Meneando a cabeça, chamo-lhes bobos
E retrucam-me com contentamento
Rindo-se que só eu, o sentido de o ser, 
não entenda: Bonita.

E, então, se não o entendo, consinto-lhes em silêncio:



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Solidão


De onde a vida inóspita vaga
Aspirando o clangor da desbravura
Canta o pássaro inquieto.

Paira-lhe continuamente o inquérito:
é-lhe melhor ser descoberto?

Essência


Essência de flor
Cheiro de flor
Gesto de flor
Coração de flor.

Flor de essência
Essência de cheiro
Cheiro de gesto
Gesto de coração.

Essência de flor
Flor de cheiro
Cheiro de essência
Essência de gesto.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lar


joelhos endurecidos
memória
e algumas cicatrizes -
foco e privações
rumo
ao mesmo lugar -
memória
vontade de lá:
Lar.

Carta

Amor,

     Eu nem sei se deveria estar escrevendo para você agora. Eu sempre tenho sido tão precipitada que até me dá arrepios imaginar-me sendo assim outra vez. Mas talvez com você eu possa ser diferente. (E até dizer esse talvez me dá tremores). Ah, sim, acredite em mim, que quero acreditar em tudo outra vez.

Amor,

     Perdão por ter dado a outros o amor que só a você cabia. Perdão por não ter entendido que você me esperava do outro lado do rio, pacientemente, como está agora, esperando por mim. Ah, sim, eu achei que você não esperaria... Achei que eles fossem você, ou que, se não eram, poderiam parecer com você, talvez. Achei que eu estivesse vivendo verdades, porque não sabia que tudo iria passar - assim como passam as mentiras. Eu só posso  pedir-lhe perdão por não lhe ter honrado, por não ter seguido segura até os seus braços.

Meu amor,

     Lamento que eu não tenha mais a alegria de antes, nem os sonhos em que você me conduzia em valsa suave. Lamento chegar aos seus braços cansada de sonhar, ferida, surrada, sem forças. Eu queria estar perfeitamente intacta, e desejei que meus olhos brilhassem quando encontrassem os seus. Mas eles agora estão opacos de exaustão - e só desejo descansar em seus braços. Não tenho mais o mesmo carinho, o mesmo vigor para cuidar de você. Agora, eu só tenho uma necessidade imensa - embora me seja custoso admitir - de ser cuidada por você. Ah, sim, eu sempre soube amar - sempre. E sempre me foi melhor amar que ser amada. Mas agora, meu anjo, restou para você uma alma cansada de amar. E talvez só agora - embora você seja o único a quem eu queria ter amado mais do que ter sido amada - agora eu aprenda a ser amada, porque é só o que me cabe - não tenho muita força para fazer mais.

Meu bem,

     Ah, não, não pense que não amo você. Eu sempre amei. Desde que comecei a entender sobre as histórias - sim, não estórias - de amor em contos de fadas, eu sonhei que encontraria você. Eu sei que contos de fadas não existem - mas as histórias de amor existem. E eu deveria ter crido que você me esperava com este seu sorriso e com seus braços-abrigo. Perdão, mais uma vez. Eu amo você, amor. Amo muito. Muito mais do que eu consiga expressar por corpo lesado. Eu sempre vou amar você, ainda que a maior expressão de meu amor seja permitir-me ser amada. Eu deixo que você me cuide, que me abrace, que não me deixe. Eu deixo que você sinta saudades de mim, que você diga o que quiser e até que não diga nada. Eu sempre soube, de alguma forma, que você me queria cuidar. Eu também queria - e quero - cuidar de você. E anseio que o seu amor me cure logo, para que eu ame você com meus olhos, com meus silêncios, com minhas lágrimas de plenitude, meus poemas, meu corpo e coração.

Amor, meu amor...

     Não sei quando você lerá esta carta. Não tenho ideia de quando vou atravessar o rio. Mas essas são palavras que quero estar pronta a dizer-lhe quando eu avistar-lhe de longe. E isso eu escrevo para que você esteja certo de que, por mais cansada que eu esteja, eu acredito que Deus me levará até você. Que seremos um, afinal. Aquela combinação que temos sonhado em ser desde sempre - e a seremos por todos os dias que nos restaram. Eu só quero que tenha certeza de que, mesmo parando no caminho e sofrendo por causa dessa caminhada dolorosa, eu caminho, ainda que devagar, buscando o seu cheiro, o seu cantinho de boca - que talvez eu nunca tenha visto, mas eu sei que vou reconhecer a quilômetros. Sim, eu vou amar cada centímetro do seu corpo, e cada gesto do seu movimento - e cada pensamento que eu vou querer descobrir, e cada palavra que você não vai dizer, e aquelas que você vai sussurrar com seus olhos. Eu vou amar que você me ame como quiser, e o calor de sua mão na minha, e o seu sorriso de quem sabe o que faz ao enxugar meu rosto. Eu vou amar reconhecer você, a quem já amo com minha espera, com minha fé sofrida, mas mantida, com meus sonhos velhos resistindo a morte. 

Meu lindo,

     E agora, encerrando esta carta, eu o observo lendo e acho que eu deveria ter amado só você, sempre. E eu agora só quero ficar aqui, em seu abraço. Não me solte. Não me solte. Quero recuperar o tempo perdido. Fique comigo. Largue esse papel. Largue tudo. Deixe-me agora amar você - que eu esqueço a longa caminhada que fiz, e os meus erros e as minhas culpas e os fantasmas que me assombram. Eu esqueço tudo e as palavras por alguns minutos aqui. E nesse abraço eu me refaço, me reconstruo e sei que tenho a bênção do Céu nesse instante de plena completude. Eu sei que agora, sim, agora, seremos um nó. Nós. Cordão de três dobras não se pode romper.

Com o amor, a vida e a esperança da sua, 
sempre sua.




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Futuro do Pretérito



Poderia ter, para o sempre, fugido.
Melhor seria tivesse nunca existido.
Bom seria se houvesse esquecido.
Se, enfim, não me restasse vestígio.

Ó, futuro do pretérito!
Enlouquecidamente enfurecido!
Não dê-se agora por vencido -
Não lhe ouço os impropérios.

Ainda me restam alguns amigos
Nesta paupérrima gramática!
E eu, a qualquer um, os prefiro
à sua questionável acústica.

E pouco me importa a borboleta mórbida
Pairando sobre o tenebroso inconsciente -
As condições que pendem dormentes
Caem vencidas às horas sólidas.


Estreito

Cíntia e Sílvia

Quem estreita porta vê
Com estreita visão
Só pode estreitar para si
O que, por si, já estreito é.

Quem pega p'ra provar
O que, pela boca, não deixa passar
Em sua mão, deixa estragar o gosto
Do que de bom sabor lhe seria.

Quem, de longe, tenta alcançar
Aquilo que de si distancia
Só pode ainda alongar
O que, de si, já longe está.

Mas quem percebe a distância exata
E a fim de alcançar, se coloca
E que sorve o que lhe oferecido
Antes que chegue o tempo em que não o mais possa tragar.

E quem estreita porta vê
E, a si, mais que ela, estreito
Descobre que não é escasso
O que aparenta coibir espaço.



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Intimidade


Que segredo contas para ela?

Passo a passo

Passo 
a passo
de lince
de luz
de som.

Passo
simples
curto
ousado
de fé.

Passo
daqui
à frente
a passo
(de) crescente.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Futuro


A pergunta, calada,
interfere-me:
Por que não asas?
A corrida, indefinida, 
(di)fere-me.
E eu, de partida,
- (so)corro-me -
choro-me 
feito
corredeira.

Por que não asas?

Porque meus pés.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Jardim



Lugar cheio de beleza,
Cores, perfume e encantamento.

Momento de reflexão,
Alegria, reconhecimento.

O Autor da Vida
Tudo fez com perfeição.

Entre todas, a margarida
Mora no meu coração.

(Minha mãe - que não é poeta de escrever, mas é poeta de sentir. Fez estes versinhos simples a pedido meu. E ficaram uma gracinha. Amo-te, minha mãezinha... A senhora deveria escrever mais! Este é um pequeno poema - que me diz muito de seu esforço e dedicação. Pequenas coisas que falam muito.)


Tratamento


"É impossível tratar de uma ferida sem tocar nela." [Painho]

Imagens

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