quarta-feira, 24 de junho de 2009

Brunesto


É com muita satisfação que eu lhes apresento... BRUNESTO! Brunnesto tem esse nome porque teve azar ao nascimento (essa é a opinião dele) quando 'cumade sua mãe' resolveu lhe dar o nome de Brunno. Aí, Brunnesto ficava arretado da vida quando alguém lhe perguntava sua graça e ele tinha que dizer: Bruno. Vortz! Bruno? Com dois n? Brunno! Meninooo, isso lá é nome de nordestino! Isso é nome de gente fina, de gente rica! Tem dois n! Brunnesto, irritado, indignado por não ter nascido Ernesto, ou Severino, ou Zé, ou Manéu, ou coisa dessa raça, resolveu se revoltar. "Agoraaaaaaaa deu, senhora minha mae! Se Esmirna é Esmirna, por que eu não posso ser Brunnesto pelo menos? Qué dizê, Brunesto, com um n!! Eu sou nordestino cabra macho, omi!"
E assim se fez Brunesto.

Armaria do Brunesto gente boua! ÊEEEEEEEta cabra macho, sim sinhô!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Bolinha



Semana passada, eu estava nas Lojas Americanas procurando um DVD legal para comprar e, assim, aperfeiçar meu inglês, vendo o filme repetidas vezes. Tinha que ser um filme bom, pra ser assistido mais de uma vez. Procurei, procurei... Até que vi, no meio de muitos outros, O Pequeno Príncipe! Era o único que havia na loja. (Pelo menos eu não vi outro, e olhe que eu procurei muito!) Eu me animei para levá-lo porque vi que era um musical! Quis levar, acima de tudo, porque gosto muito do livro de Exupéry.

Assisti uma parte do filme logo no primeiro dia. No segundo dia, comecei tudo de novo e, dessa vez, vi até o fim. Até então, eu não tinha uma parte favorita do livro. Mas, vendo o filme, eu descobri um trechinho especial. Não é novidade para os que já leram O Pequeno Príncipe. Mas, pra mim, soou novo. E é a famosa conversa do pequenino príncipe com a raposa. Veja:
"Que quer dizer cativar?"
"É algo quase sempre esquecido" - disse a raposa. - "Significa 'criar laços'..."
"Criar laços?"
"Exatamente" - disse a raposa. "Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."
Eu assisti. Pensei. Achei muito bonito. Guardei. E aí, na monotonia emiessiênica, o encanto da cena que ficou guardada na memória parece, como em um conto de fadas, virar realidade pra mim. Ora, como assim? É estranho, caro leitor, porque sempre fui rodeada de amigos! A maioria deles vieram daquele jeito sem explicação, que quando a gente se percebe, já está contando os maiores segredos e... pronto! Já éramos amigos, nem sei mesmo a partir de quando. Alguns outros, eu tive que me remexer um pouco para poder cativá-los. (E isso também tem relação com o livro). Mas, semana passada, foi algo meio sem consciência, embora tivéssemos percebendo mesmo assim. Eu quero dizer que não foi algo assim, premeditado, planejado, arquitetado para cativar. Ora, você pode imaginar? Era Flávio Américo, aquele mesmo. Era Janeiro de 2006, e ele fez todo mundo do ônibus rir de mim, me chamando de Esmirna. Fiquei logo com receio. "Esse cara nem me conhece, já tá tirando onda... Afaste-se dele. Não brinque. Fique séria. Qualquer palavra sua pode se voltar contra você." O tempo passou e a coisa foi ficando mais normal. Eu digo normal porque a tensão foi passando. Aí, acalmou ainda mais quando, no ano seguinte, em 2007, Aquiraz-CE, ele disse que eu era engraçada, e seríamos uma boa dupla de comediantes. Aí eu pensei: "Bom, ele não tem marcação em mim. Vai ver ele é meu amigo..". Aí veio o IPL 2008. E veja você que honra: Flávio Américo, aquele, me chama pra fazer uma agenda interior. "Rapaz, então, assim... Ele é meu amigo, né? Deve ser... Pensei que eu não fosse ninguém." Pra você ter uma noção, Flávio discutiu comigo! Você tem noção? Ele podia ter simplesmente ignorado minha opinião. Mas ele discutiu! A gente não discute com pessoas insignificantes... Era um sinal de amizade, não era? De qualquer modo, isso era alguma coisa, mas também não era nada de mais. E sempre que a gente se via, a gente se falava e se tratava como 'amigos?'. Ou talvez só amigáveis. Ou então, só conhecidos. O fato é que em dois dias por trás das telas frias do mundo digital, depois de um "bicha feia", ou "cabetal", parecia que eu via a cena da estranha conversa entre a Raposa e o Pequeno Príncipe. Ora... éramos amigos antes... ou talvez ainda não. Conversas simples, como costumeiras, que foram crescendo e se transformando em confissões, coisas que você só diz pro diário, ou nem mesmo diz. Um cara que diz, na maior, que eu pareço um ser mitológico não pode ser menos do que um amigo. Falar em amigo parece tão pequeno, mas é exatamente isso. É que a palavra significa mais do que o que costumamos acreditar. Amigo, aquele a quem se ama. Até mesmo amor tem se banalizado tanto que parece pequeno falar em amor. Ou parece sempre um tanto erótico. Mas me refiro a amor mesmo. Amor de amigos. Como a raposa explicou, Flávio era só um abuense legal, como muitos outros. E depois evoluiu pra um abuense legal que mora perto. E depois pra um abuense que tem a cabeça capital! Cabetal! Até que aconteceu, sem métodos, sem artimanhas, nem planejamentos antecipados, aquele cativar do livro. E Cabetal evoluiu pra Querido Diário, ou, simplesmente, amigo. Amigo de verdade. Querido Bolinha, surpresa ao conhecer o seu caráter, feliz ao descobrir seu mundo, leveza ao apresentar-lhe o meu. Muito prazer, Esmirna, Cabessoró, ou qualquer nome que me queira dar, amigo. Muito prazer, sua amiga, Jemima.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Poemeu

Meu
Teu
Poemergeu
Deu
Leu
Já percorreu
Nasceu
Viveu
Mas não morreu.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Amor

Querendo ou não, tem por trás sempre uma dor...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Noite

Eu só vejo o céu
Só quero ver o céu
Eu só penso nele
Só quero dele

A luz, o silêncio
As formas, a mesmice

O brilho das estrelas
A lua das poesias

As cantigas, as histórias
Sua muita ispiração

A espera, a demora
Sua manifestação

E então combinação
Pura Fascinação

De mar, de terra e céu
Aroma da criação

Eu só quero mesmo é essa contemplação...

E não é sem razão
Eu fico, sim, a divagar

Por que não?
Olha esse luar... Luz de brilhar...

Eu só quero esse lugar
daqui de baixo ou do lado de lá
Pra que possa admirar
A noite, o cintilar...

Noite de parar...

Humanidade

O teto embaçado do quarto toma espaço lentamente no olhar entreaberto do preguiçoso. É mais um dia que deu pra nascer. Ah, não. O relógio mal me vê, já começa a ladainha. Um texto pra escrever e outro pra traduzir. É hoje à noite. Tem que escolher as fotos e deixar na reveladora. Preparar o programa do Dia dos Namorados, comprar o lanche, telefonar e confirmar presença de todos. Preparar aulas, corrigir provas. Lavar o banheiro e estender a roupa que está na máquina. Preencher diários. Ah, não esquecer: pedir emprestado o livro de Aninha para entregar a Caio. Já tá em cima do dia. Ensaiar com as crianças. Varrer a área. Não esquecer: Preparar a prova de "speaking" da turma do sábado e estudar a lição 6. Ah, não esquecer também: Começar a pensar na oficina do Curso de Férias. Ler a Bíblia.

A imagem da rua embaçada toma espaço lentamente no olhar entreaberto do menino. É mais um dia que deu pra nascer. Ah, não. O relógio nem sequer o vê. As horas não passam. Pode ser hoje à noite, ou amanhã, quem sabe. Tem que escolher qual o melhor lugar. Pedir, correr, matar, morrer. Indeferença. Me enxotaram de novo, mãe. Podia ser esconde-esconde, jogo da velha, pega-pega ou futebol. Mas é viver. Pra quê? Ou até esquecer. É a fome que não me deixa fazer. Ah, não esquecer: Fala pro Zé avisar a minha mãe que eu tentei. Andar, e andar. Pedir, sentar. Olho as sacolas. Que tem aqui? Amanhã tô aqui de novo, dona Maria. É, pode ser. Só se Deus quiser. Varrer a área. Já tá em cima do dia. Talvez, pode ser. Quem garante que não? Você? Pode ser. Tudo pode ser. Não vê? Voltar outra vez. Enfim, uma calçada. É aqui que eu fico. Meu Deus, meu Deus, eu só te peço isso: Que amanhã o dia não nasça. Mas se nascer, meu Deus, que eu não. Mas se for o jeito, meu Deus, faz o dia ser camarada comigo. Que seja tudo diferente. Não esquecer: Sonhar com o dia de amanhã. O dia de aman... zZzZ. Nasceu. Ih... Um chutezinho de leve nas costas... Acorda, menino! É o dia camarada? Ah, é só a dona da calçada.

Que o dia nasce, nasce. Que o dia acaba, é fato. E o que vivemos? Um eu vazio de outro eu, que se conforma com o mundo que se forma na forma de si só. A vida que não segue além de si é morte que dá dó. A morte de viver pra além de si é vida vivida, dividida, repartida, produzida em sintonia com o redor. É o que forma a sinfonia da vida do pó, do homem que não foi criado pra ser só. O mundo é o que vemos em redor. A vida são as cores do lado de lá, de cá, dali, dacolá. Dá uma olhada lá na calçada...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Liberdade

Navio Negreiro (Quarteto Vida)

Cruzando o tempo, daqui se vê
Muito negreiro vendendo o que
traz escondido em seu mau querer
áfricos, tráficos, vida e ser


Varando as ondas, escuto a dor
Feito um lamento: ai, meu Senhor!
Onde a razão trata do furor
Canta a vingança da clara cor

Por todo o mar, liberdade
Há muito tom de verdade
Cada lugar do oceano
Faz onda como desejar

Todo escravo é desejo a fim
De espaço aberto de além de si
Vive na espera de ser feliz
Na volta à terra de seu país

Toda corrente é quimera só
De quem pretende guardar a nó
A força, viva de um ser menor
À força, a vida de um ser melhor

Todo negreiro é navio mercê
de muitas ondas
de outro querer
Quem prende alguém
a qualquer dever
Torna-se escravo até sem saber

Quem é mais livre: corrente ou pé?
Mordaça, voz, sombra ou luz até
Eis o silêncio a resposta é:

Livre é quem vive de fé em fé

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