segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em hibernação

A poesia congelada aqui, aqui permanece, esperando a ousadia de escrever e a temporada das flores.



[Mas a mente está a todo verão.].

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Por depois da fantasia


Olho contraído, força da luz à brecha da porta.
O velho hábito das longas explicações.
O preto no branco e timtim por timtim.
Dia após dia, palavras arquitetando um paraíso sem fim.
Um cavalo de chifre, um pote de ouro ao fim do arco-íris,
Meninas-fadas e sapos-príncipes,
Blá, blá, blá, palavras e afins.

Olho contraído e o feixe de luz.
Olhe direito e perceba o que há, fato, agora e aqui.
Apague a luz do que nunca existiu.
Espere ansiosa a porta toda se abrir,
Das flores, dos cheiros, dos bichos, do vento
Do que existe no seu próprio jardim.
Palavras e blablablás não entram ali.
Só ficam você, o que há e fim.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Intensamante



Eu sinto saudade sem sentir
Tamanho desejo de ser intensa
Eu chego a amar sem saber
Tanto que anseio aprender.

Eu pinto cores nas palavras
Tamanho desejo de ir além
Eu seco rios e abro fontes
Tanto que anseio fazer-te bem.

Eu corro léguas, salto abismos
Tamanho desejo de teu sorriso
Eu faço tudo se for preciso
Tanto que temo correr riscos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Amigos d'alma

Esperança vez em quando faz bagagem
Expira cansada e sai pela estrada.

Esperança corre desorientada
Fugida, perdida, desolada.

Esperança se lembra do tempo que foi
Recua... mas nem sempre retorna.

Esperança espera exausta pelo caminho
Encontrar perdão, que se perdeu sozinho.

Esperança e perdão separados
Dois universos despedaçados.

Esperança e perdão de braços dados
Descanso e força aos sonhos traçados.

Para vida existir, perdão.
Esperança, para a vida seguir.

Colorida


À colorida Andressa ---Dessinha---

Doce menina doce
Desce menina e dança
Desfila sutil e disfarça
Sorriso por entre as flores.

Disse que nada disse
E, misteriosa, se enconde
Se colore, se camufla
De sua história, nada me conte.

Desce, dança, encanta
Deixe que a vida te cresça
E, até lá, que ela só te floresça.

Apenas, doce menina,
Seja colorida assim
Nem mude, nem emudeça.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Identidade

Pernas e mãos num abraço angustiado. Eu tento arcar com tudo o que sou. Luto com o fato de não ser mais quem sou - ou quem fui - ou quem pensei que eu era. Luta livre com a minha própria identidade. Mas se eu vencer, eu sou a derrotada. Tremo no compasso adulto de admissão da minha humanidade. A vaidade do que eu faço, do que não, do que almejo e do que deveria. Vivo. Morro. Sobre - vivo. Sobro viva exatamente neste lugar do espaço.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais que todo o resto

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa, ou como o sino que tine.

Ainda que eu tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que eu tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para o sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é paciente, é benigno. O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece.

Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha. Mas havendo profecias, cessarão; havendo línguas, desaparecerão; havendo ciência, passará.

Pois em parte conhecemos, e em parte profetizamos,

mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava. Mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei como também sou conhecido.

Agora permanecem estes três: a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes é o amor.

(I Coríntios 13)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um chá com o Silêncio

E eu o ouvia atentamente, enquanto ele me falava, sem intervalos, da vida, do amor e da saudade. Eu o admirava por tamanha sabedoria. Favala-me como ninguém. Seu discurso parecia percorrer os corredores de toda a minha vida e eu fazia que sim com a cabeça, que o entendia, e que o ouviria mais e mais, por toda a minha vida. Até que, empolgado com toda a minha atenção, passou a falar rápido demais, embaralhando-se, então, as idéias na minha mente... e eu dei o primeiro bocejo. Eu gostaria de ouvi-lo mais, mas...

Entre a lágrima e a poesia

Saudade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um mundo de afetos

Fito foto, fito o jornal
Foco triste imagem fatal
Mundo desfeito.

Fato enfático
Afeta nosso histórico
homem-defeito.

O feito finito
Por Perfeito Infinito
Muda o conceito.

Ah... mundo nosso...

Refuta, refina
Afeto latente
Larga essa dor.

O preso, o pobre
O perdido, o doente
A função do amor.

O futuro, um feto
Gerado por todos nós
Afeto nascente.

O futuro, um filho
De todos nós
Afetos-presentes.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Menina, menina
Brincando de casinha
Menina sentando
Brincando no barro do quintal
Menina empinando pipa
Fazendo tenda
Brincando de zoológico com o irmão
Menina chorando
Menina dormindo no canto da sala
Sobre o tapete azul
Menina dançando e batendo palmas
Menina brincando de casinha
Menina escrevendo no diário
Menina desenhando casinha
Menina e seu faz-de-conta
Menina ninando boneca
Menina sonhando de princesa...
Menina...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Caro Leitor de Blogs Desconhecidos Como o Meu!

Veleja, veleja
E o grande salto
O barco a navegar
E lança-se em alto mar

Curioso e por si só
os poemas abissais
Preciosas pérolas
Entre areias e corais

Leitor que sabe nadar
Um mergulho
Escritor no fundo do mar
Um poema

Põe o rosto na poesia
Deleita-te em sorriso
Sobe e toma ar puro
Achaste o nosso escrito.


Aos poucos e preciosos leitores do meu bloguinho,
por dedicarem um tempinho a poemas e escritos
meus - e de outros blogueiros dedicados,
mas não muito acessados..

domingo, 7 de março de 2010

Presente

Os olhos fitas
Presente, encaixa, laço
Enlaço-me em ti.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fujonas

As palavras que eu almejo me fogem, como de costume. Escapam de mim como as bolhas de sabão que eu desejo tocar me escapam no ar, voando para longe e longe... Desaparecem do meu alcance, sem que eu as possa tocar. Ah, mas se um dia eu as capturo... elas vão se ver comigo! Vou transformá-las, só de pirraça, no poema mais lindo do mundo. Elas vão ver! E ainda por cima, depois de feito o absurdo poema, vou aprisioná-las na melodia mais envolvente do mundo, jamais ouvida por meus ouvidos! - só preciso também capturar a danada da melodia, que se esconde toda vez que eu penso que estou pensando nela...

menina-sonho

Homenagem à minha doce Maruskinha!

menina acorda em sonho
do sonho não se acorde
do sonho se alimente
respire essa magia
do sonho se revista
do sonho se perfume
do sonho não desista
nunca!

menina em sonho se banhe
em sonho se contente
em sonho se complete
em sonho se destaque
em sonho permaneça
ao sonho se abrace
do sonho não se perca
nunca!

menina-sonho voe
em sonho crie asas
em sonho adormeça
em sonho amanheça
em sonho se conheça
em sonho se aqueça
do sonho não se esqueça
nunca!

O cuidado

íntimo do meu abraço
abraço terno, seguro
casulo da minha oração.
gotas de chuva
calor causticante
minha vida em tua proteção.
algodão e seda
água em tua seca
silêncio em tua solidão.
preces minhas cuidadosas
lágrima que te banha
sobre tua distração.
tempo que eu protejo
bem que eu almejo
tua ilesão.
ao impossível
indefesa me ocultarei
minha rendição.
sob o Eterno
eu te esconderei
minha condição.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Meu amado, beija-flor


Flores
Folhas
Vento ligeiro

Vôo
Pressa
Gesto faceiro

Busca
Espera
Fiel parceiro

Asas
Cansaço
Amor primeiro

Voa
Voa
Sente-se o cheiro

E enfim...

Cores.

Beleza.

Balanço meigo.

...[Pausa]

------------Quanta doçura...

Uuuhh

Pressa
Fascínio
Intenso desejo

Elo
Silêncio
Profundo anseio

Pássaro prisioneiro
Rende-se por inteiro
Instantes de um beijo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Surpresa

Caixinha sob a árvore
Sussurro atrás da porta
Moeda no travessereiro
Surpresa!

Balinha no pé de meia
Bilhete à cabeceira
Café preparado à mesa
Surpresa!

Uma flor em dia de nada
Dez reais em bolsa de calça
Palmas lá na calçada
Surpresa!

Cartinha só por lembrança
Um anel pela aliança
Nos planos, pequena mudança
Surpresa!

Versinhos em dias corridos
Mensagem de madrugada
Chuva em manhã ensolarada
Surpresa!

Surpresa, surpresa!
Simples como seja
Venha-me em cor de sol
ou em flor de cerejeira
Em tempos oportunos
Por quem quer que seja
Apenas me venha
Como meu coração deseja.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Que não me falte

a poesia

Poesia
Pois vida minha
Em meu dia

Poesia
Pois cores minhas
Em meus sonhos

Poesia
Pois que não me falte
Tristeza minha

Poesia
Pois que me siga
Rotina minha

Poesia
Pois que eu te respire
Amiga minha

Poesia
Pois que me console
Lágrima minha

Poesia
Pois que me sobre
Inspiração.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Base

A Brunno (meu Neco), com quem desejo dividir minha vida por todos os meus dias.

, que por fé se vive
Se vê e se espera
Pelo caminho que não se vê.

Oração, e a nossa voz
Suave e doce canção
Pelos tempos que ainda virão.

Paciência, em cansaço
Sustenta nossos sonhos
Pelo campo de obstáculos.

Lágrimas, nossa condução
Em correnteza leva nossa dor
É silêncio de nossa contrição.

Poesia, aquarela da vida
Encharca nosso coração
Nas cores do dia-a-dia.

Honra, ao sonho que dura
Ao corpo que morre
À alma que eu amo.

(Homenagem aos nossos três meses de namoro)

Cerca elétrica


Cinco, seis, sete fios perigosos por cima dos muros das casas. Uma, duas, três, quatro... exceto sobre os muros da carpintaria do Seu Chico. Ah, e da oficina do Seu Dedé. Viro a esquina. Uma, duas, três, quatro... Melhor contar os muros sem os fios. Um, dois, três... quatro com o muro de Dona Teresinha.

Travesseiro à cabeça, esparramada em meu sofá, bem diante de mim vejo as mazelas do mundo. Um, dois, três canais, e em cada um, um caso a mais. Um homem entra no quintal da casa e leva uma menininha para longe do convívio dos pais. O que ele faz com ela, não se sabe. Tudo o que se sabe é que a menininha brincava na areia em seu mundo fantástico, destruído em pouco tempo por um desconhecido. Uma senhora e suas noras são surpreendidas por um homem armado em sua casa. O esposo da senhora, ao chegar em casa, se depara com o drama e reage em defesa de sua família. Morto com um tiro na cabeça. Um caso após outro e eu desligo a TV.

Os homens procuram um lugar de descanso e não o encontram. Um bairro parece mais tranqüilo do que um outro, mas até lá, ainda que em menor escala, a tranqüilidade é ameaçada. Os homens decidem ficar mais tempo em casa, abrigados e seguros. Um telefone e tudo é entregue a domicílio. Tudo em perfeita ordem. Até que o suposto entregador traz, em vez de pizza, um tiro na cabeça e um companheiro mafioso para saquear, não apenas o dinheiro que pagaria a pizza, como todo o interior da casa.

E então, continuo a pensar nos cinco, seis ou sete fios perigosos em cima dos muros. Os homens não encontraram seu lugar seguro. Como um abismo que chama outro, assim a violência chama outra, que chama outra e mais outra. Se a violência brutal da desigualdade já nos era de moer o coração, a desigualdade, por sua vez, gerou a necessidade e a revolta, que gerou uma montanha de casos violentos, os quais nos fazem encher nossos muros de violência, quero dizer, de cerca elétrica, em defesa. E ninguém sabe ao certo como começou ou como se segue a avalanche.

Preferiria acreditar que não é assim... No entanto, por todos os lugares em que eu ando, vejo os cinco, seis, sete fios perigosos por cima dos muros. Sobre os muros da minha casa, ainda não se vê. Mas não deixa de ser um plano.

Penso que a cerca elétrica é uma amostra grátis da grande cerca humana ao redor do mundo. Um ato de violência que gera um outro, que gera um outro que rompe a fronteira do país e vai circundando o mundo todo, como uma brincadeira de roda de mal gosto, a nível global. Alguém começou com a faísca elétrica, e todos foram afetados, num círculo sem fim. Não se sabe quem começou, e não se pode saber se um dia vai ter fim. E o choque passa por entre as pessoas várias e várias vezes. Eis a humanidade: uma gigantesca cerca elétrica violenta, formada de incontáveis fios perigosos, sobre os muros do planeta, a uma voltagem incalculável. Até onde iremos em crueldade? Alguém vai desligar a corrente? Estamos a ponto de um grande curto-circuito, por nossa própria maldade. 5, 4, 3, 2, ...


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