terça-feira, 31 de maio de 2011

Pé de Laranja Lima

          Parou e olhou para os lados com um medo nervoso de encontrar alguém que a observasse. Olhou para trás com pesar, compenetrou-se em todas aquelas árvores, portais para os sonhos de fada e sonhos pueris e doeu-se em sua alma. Curvou-se como quem se rende e respirou fundo, como quem entende o que faz. Apanhou em seus braços magros o seu universo em noites de festa, músicas inventadas e sonhos ternos de manhãs de sol, de versos simples e sinceros e caretas nas fotografias e deixou que escorresse sobre esses pequenos retratos a lágrima teimosa. Colocou tudo na mochila e mais. Os sonhos e o brilho dos olhos, os abraços afetuosos e os gestos que de tão cuidadosamente observados, preservaram-se vivos. Recolheu os nomes dos filhos, e os lugares e os prazeres e os deleites e os enfeites e o aconchego do doce lar. Pôs tudo desordenadamente sobre os ombros, que já estavam pesados de chorar. Meia volta e alguns silêncios.

          De olhos banhados, olhava para o seu infinito mundo arborizado, respirou o ar puríssimo uma última vez e disse em sua mente um adeus sofrido. E correu na direção contrária, com tudo o que podia. Corria com determinação e força e coragem, mas sentia o bosque atraír-lhe pelas costas, como numa sucção desenfreada. Corria e corria e considerava tudo o que perdia. Tudo o que ganharia. Tudo o que seria. E quanto mais se afligia, mais intensamente corria. E chorava. E corria um pouco mais. Corria entre os galhos secos espalhados no velho chão (mágico). Corria vendo lateralmente o mundo de sonhos correr velozmente, enquanto era deixado para trás. E enquanto tudo isso acontecia, ouvia os sons dos risos, das crianças, dos poemas recitados, das canções da trilha e dos suspiros apaixonados misturarem-se ao barulho de seu choro agoniado. 

          Chegou, enfim. E respirava, ofegante, ofegante, ofegante. Mais ainda respirava. Tirou a mochila das costas rapidamente, esperando que tudo isso acabasse logo. Mas tinha que acontecer. Cavou a terra furiosamente e encontrou-o lá. Abriu o seu velho baú enquanto espremia o coração num franzir de testa. Jogou mochila e tudo e ficou sem nada. Fechou o velho baú em todos os seus ferrolhos, jogou-o de volta no esconderijo e devolveu a terra ao seu lugar. Com as mãos sujas, enxugou a face. Suspirou. Levantou-se e disse: "Está feito." E virou-se, pôs as mãos nos bolsos e saiu, desejando deixar aquele lugar o mais rápido que pudesse.

          Nos bolsos, porém, achou uma sementinha, que há muito tinha guardado lá. Lembrou-se que, por um tempo, nem se lembrava mais. E voltou com ternura vagarosamente. Admirou por um tempo o morrinho de areia, seu velho baú enterrado e a sua mochila, carregada de fragmentos de seu castelinho. Suspirou profundamente. Curvou-se uma última vez e plantou ali a vida de seu pé de laranja lima.

          Saiu e seguiu, lenta, alheia e só. Levava a terra na face. A terra levava seus fragmentos. Levava na alma a memória. Deixava na terra uma vida. Levava no peito a saudade. Deixava na terra a história. Levava no peito a coragem. Deixava na terra a fé.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dia de festa!

Ao meu grande amigo, Wesley!! Feliz Aniversário, irmão!


Feliz Aniversário, Lelequinho!


De todos os motivos
Decisão.
De todas as desculpas
Oposição.
De todos os abraços
Comunhão.
De todas as distâncias
Um cartão.
De todos os lugares
Coração.
De todas as idades
A fusão.
De todos os minutos
Um tempão.
De todas as saudades
Sua mão.
De todos os momentos
Um refrão.
De todas as palavras
Oração.
De todos os segredos
Restauração.
De todos os amigos
Um irmão.


Eu te amo muito, Lelequinho!!




Ela

                     
                     O sol já invadia a janela da pequena. E, talvez pelo iluminar da luz no quarto ou pela luz que acendeu em minha alma, eu a vi diferente. Eu não havia notado, até então, tanta beleza. Eu a observava quando ela abriu os olhos num movimento lento e preguiçoso.
                Foi-se levantando e deixando os lençóis amontoados no ninho de dormir. Ao levantar-se totalmente, parou frente ao espelho por alguns segundos. Seus olhos... profundos e transparentes. Eu não tinha reparado no quanto eles são penetrantes, a essa hora da manhã. E ela, então, sorriu. Que perfeita combinação! O dia vai ser bonito para ela hoje. Um sorriso delicado e sonolento... um olhar vivo e cativante. E saiu.
                       O som das buzinas se fundia ao som dos passarinhos no jardim. Tudo indicava que o dia seria costumeiramente turbulento na humilde cidadela. O que não era costume era que além do sol, a luz no olhar da pequenina irradiava os que passavam por ela. O gesto que ela fazia para se espreguiçar a tornava ainda mais valorosa.
                 Sentou-se despreocupadamente à mesa da cozinha e, enquanto preparava desconcentrada o lanche matinal, pensava. Pensava e ria sozinha. Pensava em uma poesia que ela poderia escrever sobre isso. Pensava em pássaros cantando e em buzinas de carros. Pensava em campo, em flores e em flechas. Pensava em príncipes e camponesas. E depois pensava que pensava muita bobagem. E riu. E viveu o dia.
                     Ela é preciosa e como ela não existe ninguém mais. Não é que ela seja mais importante ou mais bonita que outras donzelas. É que ela é bonita. E como é bonita. Eu penso que deva ser muito bom tê-la por perto.
               Ao fim de um dia a mais, a pequena mulher percebeu-se no espelho. E viu que seus olhos indicavam um caminho para um universo gigantesco dentro dela. E notou que era grande. Piscou os olhos e sorriu. E quando aprontou o ninho de dormir, deitou-se e pensou: essa sou eu.
                      E sorriu. E dormiu.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A vida e a cor que ela tem.

Aquarela (Toquinho)

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)

             Quando lembro nessa canção, eu penso nas cores da vida e tenho vontade de viver mais intensamente! Eu sei que a vida passará e não sabemos bem ao certo quando isso vai ser. Para os que crêem em Deus, é pela fé que esperamos estar reunidos em Seus Braços de Amor, que seremos transformados e conheceremos a Sua face como também somos conhecidos! Por causa de Jesus, cremos que viveremos para sempre e que a vida não descolorirá, mas conheceremos as cores da vida, mais vivas e diversas, como nunca antes temos visto. Como diz o meu amigo Flávio, quando formos, o tempo não será mais. Mas enquanto não vamos, podemos colorir nossa vida e respirar o fôlego que o nosso Criador nos soprou! Que bela canção, que suave inspiração. Que vivamos para Cristo enquanto estamos nesse mundo e descubramos que tudo o que vivemos aqui é apenas um rascunho da obra de arte que o Senhor nos prepara, quando, fnalmente, voltarmos para o Lar.
"Bendito o nosso Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança (...)" (I Pedro 1.3a)



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma memória sobre a segurança.

Sobre a confiança.


"Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho." (Gn. 22.9,10)

"Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui!"(Gn.22.11)

"Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho."(Gn. 22.12)

"E pôs Abraão por nome àquele lugar - O SENHOR Proverá."(Gn.22.14a)

"Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus (...); nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz."(Gn.22.16, 17a e 18) 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Roseira


(Vencedores por Cristo) 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Falta



uma madrugada.
O que afinal me falta?
A memória aponta os traços
Indicando um sorriso aberto
abertamente distante de mim.

O que afinal me falta?
Acordou-me a madrugada.
Eu vi os verdes-mares.
Feições e gestos e movimentos.
Eram do passarinho.

A falta da mão na minha.

A madrugada me incomoda.
E, agora, o que me falta?
Os dias de outrora.
A música inventada numa noite engraçada.
Um segredo.

Que falta reside nessa longa madrugada?
Que falta a mais?
A falta da força.
A falta da fé.
A falta de mim.

Algo ainda mais me faltou
Na madrugada sem fim.
Faltou uma entrega
Uma prece
Ao Criador de mim.



Divã

- Vamos falar às claras, então.
- Vamos, sim.
- Do que você acha que eu preciso?
- Bom, eu acho que é bom começar fazendo silêncio.
- Tá. Tudo bem. Mas o silêncio que você quer dizer é... tipo assim, silêncio mesmo? Tipo, eu não falar mais nada? Porque, tipo, eu, às vezes, acho importante expressar o que tô sentindo. Tipo, você não acha?
- Bom, sim. Mas você perguntou minha opinião. Eu sugiro o silêncio. Algumas vezes, o que a gente fala atrapalha o que a gente pode ouvir. Ou vir a ser. Silêncio refletido. O que você entende disso?
- Ah... Eu fico triste com o silêncio.
- Por quê?
- Não sei. É vazio. Sei lá... é sozinho. É triste.
- Pode ser. Mas falo de um silêncio refletido.
- O silêncio cansa.
- Não quando você começa a ouvir os sons do silêncio. Ou no silêncio.
- Ai, ai... essa conversa é muito muito pra mim.
- E então? O que me diz? Vai tentar? O que vai fazer?
- Ah... falar... contar pros amigos, sei lá. Desabafar.
- E o silêncio?
- Ai... isso tá me irritando. O que é que tem?
- É que talvez exista alguém que queira falar além de você. Se você não procurar ouvir...
- Ai, mas que coisa! Quem é que quer tanto falar?
- Voltamos ao ponto zero. É bom você começar fazendo silêncio.

Sinceramente




Sinceramente eu preciso encontrar
Outro caminho, outra vida levar
Sinto que existe um motivo melhor
Para viver por quê lutar,
Sem iludir, só amar...

Ouço falar por aí sobre Deus,
E que nas trevas a luz Ele traz
E satisfaz suas vidas, também.
Buscam o bem, gozam a paz,
Tem um motivo pra crer.

Vão correndo pra Deus (2x)
Esperando um caminho melhor. (2x)

Se realmente é verdade o que ouvi,
São tantas coisas eu posso sentir
Que vão encher o vazio de mim
Nova canção, quero cantar
Quero este amor abraçar.

Vou correndo pra Deus (2x)
Certamente um caminho melhor! (2x)


Vencedores por Cristo é um grupo cristão de que eu gosto muito! Fui criada ouvindo suas canções, embora sejam músicas da geração de meus pais. Naquele tempo, a maioria das canções tinham letras profundas, melodias criativas e uma capacidade de falar ao cristão e ao não-cristão. Eu gosto muito de músicas antigas, e as de Vencedores, então... me encantam. Espero que gostem!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Borboleteio



Leve menina se liberta do zulo, casulo de repousar 
Silenciosa, quer se mostrar 
a vaidosa a voar
Imantar os meus anseios da dor das asas negras
Da borboleta o espelho, de amores que expiram cedo
A folha, a corredeira leva, a árvore não cairá
O derradeiro, primeiro dia que há
Breve, atreve terminar no principiar
Borboleteio, lhe almejo emoldurar
Dança na fuga pra ver o seu único luar.

domingo, 15 de maio de 2011

Menos, menos.

Que geralmente, eu sou intensa, é fato. Dificilmente, sou superficial. Mas em dias como hoje e nos próximos que possivelmente me esperam, gostaria de o ser. A superficialidade nem sempre é ruim. É ruim em essência (vocês já ouviram falar na essência da superficialidade? pois é. ela existe.). Às vezes, ela é totalmente desejável. Olhar certas agressões com um olhar superficial pode ser um auxílio à prevenção do desprezo. Olhando pelo ângulo  através do qual confirmamos que a intensidade sente com profundidade não apenas as cores, mas também os dissabores da vida, seria bom que, talvez, os intensos canalizassem essa [in]desejada característica. Que aprendam a olhar, por um lado, com superficialidade, por uma vista plana e distante, bem distante, fria e boba, os dissabores da vida. Como se eles fossem... fossem... bolhinhas de sabão. É. É isso. Bolhinhas de sabão que uma criança interessada em provocações começa a soprar, e a soprar e a soprar, esperando uma reação, uma grande reação. A resposta é um suave sorriso e um desvio pra qualquer atividade importante. São só bolhinhas de sabão. Não as odeie por isso.

Coração Besta

Êta, êta, coração besta.
Vê o passarinho voar e fica esperando ele voltar.
Coração besta. Êta, êta.


[E em assuntos como este, todos os conselhos são só conselhos.]


sexta-feira, 13 de maio de 2011

A prece de agora


Eu sou o único culpado por isso.
De alguma forma tudo termina da mesma maneira.
Voando nas asas do egoísmo orgulhoso
eu voei alto demais e, como Icaro, eu me choquei
com um mundo que eu tento tanto deixar para traz,
Quero me livrar de tudo, menos do amor.
Dar e morrer

Dar as costas e não se transformar
em outro prego a perfurar a pele dAquele que ama
mais profundamente do que o oceano,
mais abundantemente do que as lágrimas
de um mundo envolvendo todas as dores

Posso eu ser o que irá sacrificar
ou pegar a lança e assistir o sangue e a água escorrer?

Te amar - desmonte o meu mundo
Precisar de ti - Eu estou ajoelhado
Te amar - desmonte o meu mundo
Precisar de ti - quebrantado e ajoelhado

Tudo dito e feito: Eu estou só
no meio das sobras da vida na qual eu não sou dono.
É necessário tudo o que sou para crer
na misericórdia que me cobre.

Você realmente teve que morrer por mim?
Tudo que sou por tudo que tu és.
Porque tudo o que eu preciso e tudo o que eu acredito são mundos diferentes.

Letra Adicional:

Eu vejo além da cruz vazia
esquecendo o preço que custou a minha vida,
e limpo as manchas vermelhas,
e tristemente olhas os pregos que sobraram.
Mais e mais eu preciso de você.
Eu te devo mais a cada hora que passa nessa
batalha entre graça e orgulho.
Eu desisti não faz muito tempo,
então tome meu coração e leve a minha dor,
lave meu pés e limpe meu orgulho.
Tire o egoísta, tire o fracasso
e tudo aquilo que não posso esconder.
Tire a beleza, tire minhas lágrimas,
o coração inundado de pecado e faça-o ser seu.
Desmonte todo o meu mundo,
desmonte agora, agora,
E sirva aqueles que me desprezam
Fale as palavras que eu não posso negar,
Assista o mundo que eu costumava amar
virar poeira e ser jogado fora
Eu vejo além da cruz vazia
esquecendo o preço que custou a minha vida,
e limpo as manchas vermelhas,
e tristemente olhas os pregos que sobraram.
então tome meu coração e leve a minha dor,
Tire o egoísta, tire o fracasso
e tudo aquilo que não posso esconder.
Tire a beleza, tire minhas lágrimas,
Desmonte o meu mundo, desmonte o meu mundo
Eu oro, e eu oro, e eu oro
Desmonte o meu mundo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Escolha

"Ela não dormiu até tarde hoje, como se acostumou a fazer nos últimos meses, porque decidiu levantar cedo e dar uma aula de inglês particular. Hoje a primeira refeição dela não foi o almoço, como tem sido, porque, como decidiu sair cedo, precisou tomar o café da manhã. Hoje ela não vai assistir a novela da tarde, como é de costume, porque, como assumiu o compromisso de dar aulas, decidiu separar suas tardes para prepará-las. Hoje ela não vai navegar pela internet ao fim da tarde, porque decidiu fazer exercícios na academia. Hoje ela não vai passar a noite na casa de sua melhor amiga, porque, como decidiu malhar até às 19h, precisa tomar um banho e estar pronta às 20h30 para o curso de inglês, que decidiu fazer. Hoje ela não vai dormir cedo, como gostaria, porque decidiu estudar inglês até às 22h30. Hoje ela precisa decidir se vai assistir um episódio de The Tudors ou se vai dormir, quando chegar da aula de inglês. Hoje ela não vai ao teatro, não vai ao cinema, não vai ao shopping e não vai assistir um filme com as amigas. Ela não vai namorar, não vai ler um livro, não vai chorar, não vai à praia, não vai viajar e nem vai tomar sorvete. Ela não vai cortar o cabelo, não vai ao dentista, não vai à igreja, não vai assistir Friends, nem vai lanchar no Subway. Porque toda escolha tem seu preço. Todo sim implica em infinitos nãos."

terça-feira, 10 de maio de 2011

Diversidade é a sentença

"Se cada cabeça é um mundo, cada um é muito mais." 
Lenine



                 No fim daquela tarde, elas estavam juntas. Falavam sobre meninos, belezas, comidas e blábláblás. Eram melhores amigas, daquelas que se fossem irmãs, não seriam tão unidas.

-Não. Pra mim, homem tem que ter pegada! - Carol assim interrompeu a conversa atravessada.
-Pois pra mim, não precisa disso não. Eu gosto de meninos tímidos. Odeio homem machão. - Expressou-se a Manu.
- Tá louca! Homem ter que ter cara e corpo de homem. Não gosto de homem com cara de menino. Tem que ter o tipo, tendeu? Quando ele chegar, todo mundo tem que ver que chegou um HOMEM! - Epivitou-se Jéssica.
- Gente, mas o que importa se o homem tiver tudo isso e tiver cabeça de menino? Eu nem me importo se todo mundo achar ele feio ou com cara de menino. Pode até ser mais novo, mas tem que ser maduro. Se for machão ou não, eu não tô nem aí. Eu só tenho uma exigência: que me ame e que tenha senso de humor. - Opina Pri, querendo ser a boa moça madura.
- Ah, é. Senso de humor é essencial. - Concorda Manu.
- Mas eu detesto homem abestalhado, tipo, que fica fazendo piada de tudo! Não. Eu quero pra mim um homem sério! - Falou a imperiosa Carol.
- É, Carol. Eu também quero. Mas também sério demais é ruim. Tem que me fazer rir. Se não, fica muito chato. - Jéssica fala tentando equilibrar as divergências.
- Gente, desculpa cortar o assunto, mas vocês não estão com fome não? Eu tô morrendo de fome. - Fala Manu.
- Ai, eu também. Tô com tanta vontade de comer uma pizza! Desde ontem, eu penso numa marguerita! Aaaaiiiii! Vamos comer pizza, gente? - Falou Pri.
- Meu Deus, como alguém gosta de marguerita?? Tem tomate, minha gente!! Ecaaa!! E pimentão!! - Falou Jéssica indignada.
- Oxente!! É por isso mesmo que eu gosto! É uma delícia! O que eu não entendo é como alguém pode não gostar de tomate e pimentão!! - Disse Pri.
- Ah, eu até gosto de tomate, mas de pimentão... ninguém merece!! Aaarrghhh!! O cheiro já é terrível!!
- Gente, hehehehe, é tão interessante isso! O papo tá bom, mas a noite tá chegando e a fome tá aumentando. Vamos apressar!! Do jeito que vocês demoram pra se arrumar... é melhor eu ir primeiro.
- Não, senhora, dona Manu! Já que você é a mais rápida, você vai por último! - Reivindicou Carol. Eu vou primeiro com Pri. Depois você vai com Jessy.

(40 minutos depois)

- Melhor essa blusa ou essa? - Pergunta Jessy para todas.
- Humm... eu prefiro a azulzinha. - Disse Manu.
- Ah, não! A preta é muito mais bonita. Quer dizer, é o que eu acho, né... - Responde Carol.
- E você, Pri? Qual você prefere?
- Humm... eu é que vou decidir, é?
- Hehehe! É!
- Deixe eu ver... deixe eu ver... bom, pra ser sincera, eu gostei mais da azul também.
                  Mas Jessy pensa bem e decide:
- Acho que vou com a minha blusa vermelha, que eu ganhei no meu aniversário. Vou inaugurar hoje!

(...)

               E continuaram discordando, discordando e se divertindo com o passar da noite. Divergiam pelos homens, pelas belezas, pelas pizzas, pelas pessoas que passavam, pelas coisas que lhes aconteceram e pelas que ainda poderiam acontecer, pelos sonhos e por tudo mais.

                 E ficavam cada vez mais certas de que seriam amigas pra sempre.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desejos


Tem dias que a gente acorda querendo escrever um conto. Um livro, talvez. Poderia ser uma estória engraçada, algo que arrebanhasse muitos leitores e arrancasse deles gargalhadas despreocupadas. Ou poderia ser um romance, o mais lindo de todos, daqueles que a gente passa a vida sonhando e vendo outros sonharem. Aquele tipo de estória que quase nunca vira história. (Só para alguns poucos, muito poucos mesmo.)

Tem dias que eu acordo querendo escrever uma estória difícil, intelectual e cheia de mistérios indecifráveis. Todas as estórias de mistérios (ou quase todas, eu acho, porque, afinal, admito não ser a melhor leitora do mundo) trazem as respostas deles no final. Eu poderia escrever uma estória nova, por que não? Tem dias que eu acordo querendo escrever um livro de poesia, das mais criativas e bem articuladas, daquelas que trouxessem em linguagem os mais profundos segredos da alma.

Tem dias que eu acordo querendo desenhar, gastar tempo aprendendo a ser artista. Tem dias que me dá uma pontinha de inveja dos que aprendem a vida sozinhos, que deixam de pensar tanto no tempo gasto com as coisas importantes e gastam mais tempo fazendo o que gostam. Tem dias que eu quero bordar vestidos e pintar camisetas. Tem dias que eu tenho vontade de tirar tudo do meu quarto e pintar a parede com as cores e as formas que eu quiser. Mas eu tenho medo de enjoar do que eu faço. Às vezes, isso acontece. Às vezes, eu não faço nada. Tem dias que eu acordo querendo ser colorida. Tem dias que [eu nunca acordo assim.

Tem dias que eu sonho com a vida de Moisés. Dá vontade de encontrar um lugar no meio do nada e cuidar do que realmente importa e gastar tempo ouvindo a voz do Criador. Sonho e anseio por isso. Dá uma vontade de parar tudo, pedir alguns dias de folga ao planeta, que por favor dê um tempo em seus movimentos, que eu preciso pensar. Tem dias que eu não tenho vontade de falar. Tem dias que eu queria só ouvir a voz dEle.

Tem dias que eu tenho vontade de ser palhaço e fazer trabalho voluntário. Tem dias que não.

Tem dias que eu me arrependo das coisas que eu fiz. Tem dias que o que mais me incomoda são as coisas que eu não fiz, porque tive medo, porque tive vergonha, porque entendi errado, porque fui covarde, porque me traí, porque tive receios.

Tem dias que eu tenho vontade de inventar a máquina do tempo (ou encontrar o inventor dela - pode ser que já até exista. Quem sabe?) para voltar alguns anos ou alguns segundos e fazer tudo diferente. E não deixar de fazer o que eu penso que é certo. Mas também tem dias que eu queria entender a força do perdão e me sentir novamente pronta pra acordar livre.

O amor me assusta, mas tem dias que eu tenho vontade de amar intensamente. Tem dias que eu queria tanto sentir que sou muito e muito amada... a mais amada do mundo! Tem dias que eu repudio romances, odeio a palavra amor e tudo que se relaciona a ele, me irrito com qualquer que ouse falar sobre o assunto. Tem dias que eu acho que tudo o que me disseram não passa de uma grande e infeliz mentira. Tem dias que eu fico sonhando e imaginando as possibilidades de ser tudo a mais linda e perfeita verdade.

Tem dias que eu tenho vontade de escrever um livro sobre mim. E fico imaginando que se as pessoas conhecessem o que sou, poderiam querer viver para sempre comigo. As pessoas poderiam se apaixonar por mim! Veriam a poesia que corre em minhas veias, o amor que palpita junto com meus batimentos cardíacos, a vontade que tenho de ser feliz e ver as pessoas feliz. Tem dias que eu desejo rasgar cada página de meu diário, para que nunca vejam quem eu realmente sou.

Se você parar para pensar, amanhã e todo dia teremos uma ardente vontade de viver com plenitude, e saberemos, mesmo assim, que esse desejo vai sempre se cruzar com a cura que queremos ter, com a insatisfação que sempre existirá, queimando terrivelmente dentro de nós. O que poderia ter sido diferente? O que não tem mais solução? E estamos cansados de saber que os 'porquê's e os 'para quê' muitas vezes não vão nos guiar para uma resposta, mas para outras perguntas: 'O que faço agora?' 'Como?'

Tem dias que eu queria que muita coisa tivesse acontecido diferente. Tem dias que eu só queria que tudo mudasse daqui para frente. Mas também tem dias que eu queria sentir que nada precisa mudar, que tudo está em seu devido lugar, que não preciso de mais nada e que a vida acordou de bom humor e está dançando para mim, simples, plena e lindamente, como tem que ser.


Tem dias que eu tenho saudade de Ti.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

No País de Mossoró

Era sábado de churrasco, em algum lugar no país de Mossoró.

- Avia, omi! Tem uma ruma de gente esperando nós lá no muro.
- Ai, vai! Tá vexada por quê? O churrasco né aqui em casa, criatura? A hora que for tá bom.
- Ô omi choco. Sostô você. Apois eu vou indo logo. Num esqueça de pegar os coração.
- Que calção, omi?
- Ai, vai! Tá moco, é? Calção... eu disse pra você pegar os coração de galinha aí no friz, porque papai só come coração.
- Tá certo, mulhé!

Din don. Din don.

- Vá olhar ali, Maria. Chegou gente.
- Já vou, omi! Sou moca não.

(Aberta a porta...)

- Pia quem chegou, Vicente! Salete com a bichinha dela! Venha olhar aqui, Vicente!
(Vicente lavou as mãos e foi até a sala.)
- Valha como é bunitinha a bichinha!
- Mais é mermo uma moça! Como é o nome dela, Salete?
- Ketryn Mileyde!


Vocabulário:
Avia = Apresse
Omi = Homem (Termo usado por homens e mulheres de todas as idades, como vocativo)
Uma ruma = Muito/muita, um monte.
Muro = Quintal
Vexada (o) = Apessada (o)
Choco (a) = Chato (a)
Sostô = Termo utilizado em situações de desdém. Não há uma tradução para o português brasileiro. É típico do país de Mossoró.
Apois = Pois
Moco = Surdo
Pia = Espia, olha
Bichinha (o) = bebê fofinho (a), criança fofinha. [Esta expressão pode ser também usada em outro contexto. Por exemplo, em conversas entre amigas, como vocativo: - Bichinha, eu levei uma queda tão grande ontem!
Valha = Nossa! Uau!
Ketryn Mileyde = nome chique de nossa gente.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Reticências

         "Estou bem, estou bem...".
       O auxílio da repetição de nada adianta diante das reticências. O que não dizemos, aquilo que guardamos, às vezes fala mais alto do que o que repetimos e repetimos em bom som.Apesar disso, poucos são os que conseguem ouvir o grito desesperado embutido no silêncio.
        Para a maioria das pessoas, é sempre bom o uso das costumeiras repetições. "Estou bem, estou bem!" Elas dificilmente seriam hábeis para decifrar nossas reticências como o são aquelas que nos conhecem bem. Essas, quase sempre, nem chegam ao plural. Às vezes, só temos mesmo um alguém que é capaz de ir mais fundo e enxergar o estado em que realmente estamos. Algumas vezes, não há mesmo ninguém.
          As fraturas, o sangue, as secreções, os gritos de horror, a falta de fôlego e os pesadelos ficam para os que tem coragem de cuidar. Os que apenas perguntam ficam com as cicatrizes. Depois que tudo passar, a gente se fala. Enquanto sangra, a gente se cala.Se não vai cuidar, é melhor também não saber da gravidade da dor. Para vocês, lançamos repetições. Dizemos qualquer coisa que vos pareça confortante. Dizemos com nossas repetições: 'não se preocupem. Vocês não saberiam cuidar.' 
         Para os que conhecem a dor, para os que se aproximam, para os que ouvem das janelas da alma a angústia tão declarada nas falsas repetições do discurso, para estes, sim, só para estes, com apenas um olhar, lançamos aflitas reticências.
         

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A força que move o mundo

[Esse poeminha estava em meus rascunhos aqui, esquecido. 
Então, resolvi postar.]


Por motivo de uma manhã triste
De um dia que nasce nublado e cinza
Meus humores se fecham como botão
E me inclino a escrever poesia.

E por sentir a fraqueza de ânimo
Tristeza do coração
Vazio de coragem
Penso na força de quem tem força.

O que move o mundo dos alegres?
Que mistério há no sorriso dos fortes?
Qual o segredo de um coração que ri?
Páro e investigo aqui.

O que me falta poderia ser dinheiro
Se esse tal me fizesse sorrir.
Mas de rico triste tanto já ouvi
Penso não ser isso o que me faria feliz.

Poderia ser destaque social
Mas já vi tantos decaírem ao final...
Penso que deve ser algo a mais
O que me falta, afinal.

Do que estou falando?
Por que tanta prosa aqui?
Sei que você já sabe
O mistério que finjo descobrir.

O amor é a tal força
Que o mundo pode mover
Que apaga passados tristes
E alegria pode trazer.

24

            Bom, tenho pensado muito sobre a brevidade da vida nesses últimos tempos. Minhas reflexões me levam cada vez mais a um sentimento que eu poderia dizer que é o que mais se aproxima de um desejo de completude, de plenitude de vida. Quando a gente se dá conta de que o tempo passa e passa rápido, de alguma forma a gente percebe que não temos tempo a perder. A vida nos foi dada como uma dádiva e precisamos, com urgência, aproveitar esse tempo, esse espaço, esse corpo e esse ar, pra respirar com leveza e profundade. Hoje, tenho 24 anos. E este ano, ao pesar da tristeza - que essa compõe a vida e se tornou normal - vai ser o ano de aprender a viver intensa, abundante e suavemente. 
          Que esta sinfonia de fôlego me foque no Autor e Maestro da Vida. Que Ele também te conduza, leitor, e te propicie uma vida abundamente viva. Eternamente.

Com vocês, Twenty-Four!


Vinte e quatro oceanos
Vinte e quatro céus
Vinte e quatro fracassos
E vinte e quatro tentativas
Vinte e quatro procuras de mim
No vigésimo quarto lugar
Com vinte e quatro desistências
No final de um dia

A vida não é o que eu pensei que era
Vinte e quatro horas atrás
Ainda estou cantando 'Espírito
Me tome nos seus braços com você'
E eu não sou quem eu pensei que eu era
Vinte e quatro horas atrás
Ainda estou cantando 'Espírito
Me tome nos seus braços com você'

Existem vinte e quatro razões
Para admitir que eu estou errado
Com todas as minhas desculpas
Ainda vinte e quatro vezes mais forte

Veja, eu não estou desistindo
Não estou desistindo
Não estou desistindo
Quando você está ressucitando o morto em mim

Oh, oh
Eu sou o segundo homem
Oh, oh
Eu sou o segundo homem agora
Oh, eu sou o segundo homem agora
E você está soando essas...

Vinte e quatro vozes
Com vinte e quatro corações
Todas as minhas sinfonias
Em vinte e quatro partes
Mas eu quero ser um, hoje
Centralizado e verdadeiro
Estou cantando 'Espírito me tome nos seus braços com você'
Você está ressucitando o morto em mim

Oh, oh
Eu sou o segundo homem
Oh, oh
Eu sou o segundo homem agora
Oh
Eu sou o segundo homem agora
E você está ressucitando o morto em mim
Yeah

Eu quero ver milagres
Para ver o mundo mudar
Brigar com o anjo por mais que um nome
Por mais que um sentimento
Por mais que um causa
Estou cantando 'Espírito me tome nos seus braços com você'
E você está ressucitando o morto em mim

Vinte e quatro oceanos
Com vinte e quatro corações
Todas as minhas sinfonias
Com vinte e quatro partes
A vida não é o que eu pensei que era
Vinte e quatro horas atrás
Ainda estou cantando 'Espírito
Me tome nos seus braços com você'
Eu não estou desistindo
Não estou desistindo

domingo, 1 de maio de 2011

Certas coisas



Por Lulu Santos e Nelson Motta





Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

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