quarta-feira, 18 de maio de 2011

Divã

- Vamos falar às claras, então.
- Vamos, sim.
- Do que você acha que eu preciso?
- Bom, eu acho que é bom começar fazendo silêncio.
- Tá. Tudo bem. Mas o silêncio que você quer dizer é... tipo assim, silêncio mesmo? Tipo, eu não falar mais nada? Porque, tipo, eu, às vezes, acho importante expressar o que tô sentindo. Tipo, você não acha?
- Bom, sim. Mas você perguntou minha opinião. Eu sugiro o silêncio. Algumas vezes, o que a gente fala atrapalha o que a gente pode ouvir. Ou vir a ser. Silêncio refletido. O que você entende disso?
- Ah... Eu fico triste com o silêncio.
- Por quê?
- Não sei. É vazio. Sei lá... é sozinho. É triste.
- Pode ser. Mas falo de um silêncio refletido.
- O silêncio cansa.
- Não quando você começa a ouvir os sons do silêncio. Ou no silêncio.
- Ai, ai... essa conversa é muito muito pra mim.
- E então? O que me diz? Vai tentar? O que vai fazer?
- Ah... falar... contar pros amigos, sei lá. Desabafar.
- E o silêncio?
- Ai... isso tá me irritando. O que é que tem?
- É que talvez exista alguém que queira falar além de você. Se você não procurar ouvir...
- Ai, mas que coisa! Quem é que quer tanto falar?
- Voltamos ao ponto zero. É bom você começar fazendo silêncio.

Um comentário:

  1. Hahahaha. Amei. Lembrei de uma frase dessas meio provérbio de caminhão, que diz que dentre aqueles que nada dizem, poucos são os que fazem silêncio.

    que saibamos do silêncio.

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