sábado, 29 de outubro de 2011

Saudade



A saudade é uma ferida aberta.

O tempo é colorido
como vacina em gotinha.

A dor, todavia, faz-se gemido
com o mais suave toque.

A saudade é uma ferida
que não sara com vacina.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Formiga


A gota de orvalho parece-me um rio.
O caminho que me leva ao jardim,
as distâncias do mundo.
E os olhos enxergam gigante
o pequeno vaso pendurado na varanda.

A pequenina flor é meu ninho de dormir
e o pedaço de céu que eu vejo
é a plenitude do infinito.

A minha culpa faz de mim formiga.
Pequena e frágil formiga.

A Tua graça faz da flor, um ninho
da gotinha, um rio
da janela, um mundo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vagão

as árvores fugindo
as casas à beira
do caminho,
cores tristes
cheiro de chuva.

crianças e fantasia
seu pais dormindo
no caminho,
flores e frutos
cheiro de vinho.

a janela molhada
cabeça reclinada
pelo caminho,
olhos no trem,
coração na estrada.

eu vi uma viagem
perdida em jornada
trilhando miragens
sonhando acordada
sem mapa nem nada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Das coisas que importam...


Que o amor não esfrie,
Que a fé não canse,
Que a esperança não desespere.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sobre o vento - Crombie

Câmbio



O dia começa cedo. O café é um break, o almoço é fast food. O descanso é a hora do rush. Os melhores amigos estão no facebook. Abraço é ultrapassado. Hoje se cutuca ou se comenta as novas fotos do álbum virtual. Quanto mais tempo você passa no twitter, melhor você conhece os seus amigos. Ai ai... os elos são tão profundos... chego a pensar que maravilha é não precisar das pessoas. Nesse mundo tão altruísta, temos o privilégio de estar por dentro de tudo sem nos envolvermos diretamente com os problemas dos outros. Existe vida pós internet? Favor, fazer contato. Câmbio.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Eco



Dizem que nunca se sabe
o que se passa do outro lado.
Mas se existe algum remoto afeto
Onde está o menor dos cuidados?

O tanto amor que lhe dispus,
O tanto de mim que se lhe fez livre
Hoje colhem espigas secas
Dos campos que ainda vivem.

Nenhuma palavra sua
Pronunciou-se naquele dia;
E o silêncio até hoje se perpetua.

O som que até hoje existe
É o único no percurso:
o eco do meu grito triste.

Do choro.



Minhas leituras se estacionaram em algum lugar do tempo.
Em algum outro lugar, distraiu-se o amor. O amor nunca me acompanha o passo.
Só quem não me deixa sozinha é o rio, que vai desenhando o meu caminho,
suspirando seus barulhos como se me olhasse aflito,
flutuando sua tristeza e me convidando a transbordar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Sede

No ninho, a sede
do céu, o anseio
do chão, a busca
do oceano.

No beijo, a fome
do amor, a caça
da paz, a sede
da guerra.

No dois, a espera
do três, ansiedade
do já, expectativa
do sempre.

No muito, a sede
do mais, a fome
do infinito, a sede
do inteiro.

No hoje, espera
do amanhã, saudade
do ontem, a sede
do que é bom.

No ímpar, a falta
do par, saudade
do ímpar, a sede
do par outra vez.

No eu, a busca
do nós, espera-se
a solidão, a sede
de ser completo. 


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Da força de amar



Você descobre que está aprendendo a amar uma pessoa quando continua amando mesmo depois de ter sido profundamente desapontado por ela.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um

Um deserto, um coração,
Um oceano, um abraço à alma,
Uma alma calada, um corpo só.
Um choro minguado,
Uma noite fria,
Um silêncio.

Um, porque um é Deus.
Um é o sol.
Uma é a lua e só.
A morte é apenas uma.
A vida é ímpar também.

Ainda que outro eu fosse,
um só seria.
Na dor e na alegria.
Solitária solidão - canção
da voz que soletra
um canto
sozinha.

Jemima Moura.






P.s. Gente, estou voltando aos poucos. Estou um pouco melhor nesses dias. Quero agradecer pelo carinho de todos! Muito obrigada, pessoal. Beijõesões.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais uma pausa no jardim



Gente, infelizmente, por motivo de saúde, estarei distante do blog por uns dias. 
Sentirei saudade de todos - mas espero poder voltar em breve.

Um beijo carinhoso em cada um de vocês, queridos viajantes que, de passagem, 
visitam meu pequeno jardim. Eu não mereço suas ilustres visitas. Fico feliz em tê-los aqui!

Busquem a Deus.

Carinhosamente,

Mima.

domingo, 2 de outubro de 2011

Fértil Deserto



Hoje me deu uma louca vontade de escrever. 
Aliás, todos os dias a minha mente ferve, procurando, ardentemente, seu oásis nas dunas das palavras. 
Os desenhos que elas formam caberiam em uma garrafinha de souvenir. 
Mas são muito mais bonitos quando na vastidão dos desertos - áridos terrenos poéticos. 
Quem me dera ter lido Fernando Pessoa, 
Guimarães Rosa, Mário Quintana, 
Manuel Bandeira, Drummond. 
O meu mundo inteiro seria um deserto - e minhas dunas... 
oásis.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mar à Vista


Eu não sei
que será de mim
Eu não sei
E nada me importa saber
Eu só sei
Que havia um mar à vista ali
Você passou assim por mim
E eu me perdi.

(Djavan)
(Música que escolhi para cantar no recital de fim de ano, no especial de Djavan, da Escola Municipal de Música, onde tenho aulas de Canto I).

Pollyana



A menina segurou o candelabro com ambas as mãos e o trouxe até à cama com mil cuidados. Pendleton foi então, destacando os pingentes e depondo-os sobre o travesseiro até formar uma dúzia.
- Agora, minha cara, leve-os e pendure-os no fio. Se realmente deseja viver num mundo de arco-íris, vai tê-lo já.
Só depois que Pollyana pendurou o quarto é que notou o que sucedia, e tão excitada ficou que as mãos lhe tremeram e foi com dificuldade que pendurou os demais. Mas completou a obra e recuou dando gritos de alegria.
O aposento se transformara num sonho de conto de fadas. Por todos os lados luzes que dançavam, vermelhas, azuis, verdes, roxas, alaranjadas, cor de ouro - pelas paredes, pelos móveis, pelo corpo de Mr. Pendleton.
- Oh, oh, oh, que maravilha! Estou vendo que até o sol quer jogar o jogo do contente, não vê? exclamava a menina delirante, esquecida de que o homem nada sabia de tal jogo. Que bom se eu possuísse uma porção destes geniozinhos de cristal, para dá-los a tia Polly, a Mrs. Snow e a tanta gente mais! Como haviam de ficar alegres! Até tia Polly era capaz de ficar contente a ponto de bater três portas, ela que jamais bateu uma só. Viver dentro dum arco-íris assim!...
Pendleton sorria, enlevado.
- Pelo que conheço de sua tia, Pollyana, suponho ser necessário algo mais que uns pingentes ao sol para fazê-la bater portas! Mas que quer dizer o tal jogo?
- Ah, esqueci-me que o senhor não o conhece ainda.
- E por que não me ensina?
Chegara o momento. Pollyana contou a história toda, a partir das muletinhas que vieram na barrica em vez de bonecas, e tudo contou sem olhar para o ouvinte, tanto lhe prendiam os olhos aquelas luzes coloridas.
- Pois é só isso, disse ao terminar - e agora o senhor poderá compreender a minha ideia quando disse que o sol estava também a jogar o jogo do contente.
Fez-se um momento de silêncio; ao cabo a voz do homem ressoou, fraca e comovida.

(Pollyana, p.111)

Pollyana foi um livro escrito por Eleanor H. Porter,
nos Estados Unidos, 
publicado em 1913,
e considerado um clássico da literatura infanto-juvenil. 

Imagens

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