quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ela

                     
                     O sol já invadia a janela da pequena. E, talvez pelo iluminar da luz no quarto ou pela luz que acendeu em minha alma, eu a vi diferente. Eu não havia notado, até então, tanta beleza. Eu a observava quando ela abriu os olhos num movimento lento e preguiçoso.
                Foi-se levantando e deixando os lençóis amontoados no ninho de dormir. Ao levantar-se totalmente, parou frente ao espelho por alguns segundos. Seus olhos... profundos e transparentes. Eu não tinha reparado no quanto eles são penetrantes, a essa hora da manhã. E ela, então, sorriu. Que perfeita combinação! O dia vai ser bonito para ela hoje. Um sorriso delicado e sonolento... um olhar vivo e cativante. E saiu.
                       O som das buzinas se fundia ao som dos passarinhos no jardim. Tudo indicava que o dia seria costumeiramente turbulento na humilde cidadela. O que não era costume era que além do sol, a luz no olhar da pequenina irradiava os que passavam por ela. O gesto que ela fazia para se espreguiçar a tornava ainda mais valorosa.
                 Sentou-se despreocupadamente à mesa da cozinha e, enquanto preparava desconcentrada o lanche matinal, pensava. Pensava e ria sozinha. Pensava em uma poesia que ela poderia escrever sobre isso. Pensava em pássaros cantando e em buzinas de carros. Pensava em campo, em flores e em flechas. Pensava em príncipes e camponesas. E depois pensava que pensava muita bobagem. E riu. E viveu o dia.
                     Ela é preciosa e como ela não existe ninguém mais. Não é que ela seja mais importante ou mais bonita que outras donzelas. É que ela é bonita. E como é bonita. Eu penso que deva ser muito bom tê-la por perto.
               Ao fim de um dia a mais, a pequena mulher percebeu-se no espelho. E viu que seus olhos indicavam um caminho para um universo gigantesco dentro dela. E notou que era grande. Piscou os olhos e sorriu. E quando aprontou o ninho de dormir, deitou-se e pensou: essa sou eu.
                      E sorriu. E dormiu.

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