domingo, 10 de julho de 2011

Danço


Ensaios e improvisos compondo as cores da minha vida. E eu continuo. Entre um e outro desequilíbrio, eu sobrevivo dançando. Eu não vejo o palco, nem a platéia. Não vejo você. Não me vejo. Eu danço. Danço que a vida é música e só. Danço que a vida é surpresa do que virá. Eu danço muito sem ensaiar. As notas tristes me emocionam e eu danço e choro, não me canso. Eu giro e movimento as mãos com delicadeza e, se a música me pedir, deito e respiro. Eu salto e rodopio  com força e coragem. Eu suo e faço arte por e sem sentir. Se a música pedir eu rio, amo e um sem fim, oceano. Se a música calar eu durmo e danço ainda assim. Se a música ficar baixinha os meus gestos lentamente sabem sorrir, rodando e rodando o movimento da terra, da vida, do sim. Sim, eu danço. Eu sei que a canção é imprevisível, e é impossível saber a hora de a melodia ter fim. Só sei que danço sozinha neste palco-jardim. Danço e sinto os passos de surpresa me ditarem gentilmente os próximos gestos, em cordial leveza, suspiro e jasmim. Danço com força no corpo, nos pés e na mente, para prosseguir, com doçura, saltando, correndo, sorrindo e chorando neste palco de mim. Nenhuma tontura faz terminar a música. A vida é depois e aqui, mas nunca no que se já foi. Os passos trocados de um segundo atrás já são esquecidos pelo acorde que se segue agora, impulsionando vivo e feroz um novo movimento. Dançar é seguir ritmadamente a música, que não pára, não pára e faz a dança continuar. Música, movimento e voz é essa escritura que nos faz respirar. Vida é dança, gesto veloz. Vida, vida. 


E eu sigo dançando no ritmo. Se preciso, canto. No tom.

Um comentário:

  1. Adorei! Já estava com saudades dos seus textos! Ah, e a foto nova do perfil do blog tá linda!! bjos

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