quarta-feira, 15 de junho de 2011

A alegria de sofrer

           Cogitei a ideia de esquecer o que eu penso e até o que sinto. Decidi vestir a roupa da alegria e pisar firme nessa terra. Correrei os passos meus, com a capa dourada da primavera e serei forte e valente, protagonista da farsa.
            E vesti. E notei que a farsa era tediosa. A farsa, mais que o meu sonho, era minha fantasia. Percebi que mais me valia despir-me daquilo que esperam que eu seja - que eu faça ou pareça - e andar nua pela rua. Eu mostro a minha vergonha. Descubro a minha intimidade e exponho minha dor. Eu não tenho medo de cirurgia. Melhor a autêntica dor que a alegria fingida. E eu, desnutrida, contemplo as cores desbotadas do mundo que foge ao meu controle. Remoto controle.

         Por isso, essa música me descreve hoje (no tempo em que o hoje se encontra): Esquadros, de Adriana Calcanhoto.


         Além do mais, noutro dia uma amiga me disse: Quem sofre se torna forte. Hoje eu entendi que é mesmo verdade. É fato que a gente pode perder muito com as nossas escolhas - fatídicas -, mas eu, pelo menos, não abro mão do direito de sofrer. Se alguém perde a capacidade de sofrer, de deixar doer, talvez seja porque, de tanto se esconder, se perdeu de viver. Lembram da fantástica capa dourada da alegria? Nunca mais ousarei vesti-la. 
          A luz mostra a verdadeira face de alguém, revelando as cicatrizes, as imperfeições, a falta de simetria, de beleza, de cuidados. A luz mostra o que temos sido, o que estamos sendo e o que podemos ser. Dizem que a verdade dói, e ela dói. Contudo, sara. E faz bem.
       E não me interpretem mal. Eu serei toda alegria. Todavia, autenticamente alegria. A minha nudez mostrará a verdade crua de que sou feliz. Todos verão que eu o serei. E será que só o fato de eu expor minha raízes já não me torna um tanto mais feliz?

        Sobre isso, lembrei de mais uma canção. Essa não tem em vídeo e é de uma dupla que eu gosto bastante: Cíntia e Sílvia. A música tem por título Luz da Lua.

Luz da Lua

E será a luz da lua como a luz do sol
E a luz do sol sete vezes maior
Como a luz de sete dias.

Revolver nossa terra 
E expor as raízes da nossa dor.

Deus arrancará a amargura
E vida rara brotará.


             E nesse usufruir, eu vou deixando que minha maturidade controle a exposição das minhas mudas, raízes de amargura, ao sol. O calor e o tempo se encarregam de matar o que tem de morrer e gerar o que tem de nascer. E agora, lembrei de um versículo lá de Eclesiastes.
               
                "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás." Ec. 11.1

               Caro leitor, se você tira algum proveito de minhas palavras, não sei. Mas eu criei este espaço para que eu mesma tire proveito de mim. Que eu me explore e me extrapole. Então, quero concluir este texto com uma pergunta e uma sugestão de resposta, que serve como uma bússula para mim. Se você se sentir à vontade, lance uma flor com a sua resposta à pergunta:

O que é alegria? 

Minha resposta: "Alegria é tudo perder, sem perder nada do amor de Deus." (Josué Rodrigues)


3 comentários:

  1. Em meio a tão belo jardim ouso lançar uma modesta flor, a fim de regar as idéias e ajudar a cultivar este campo, que orgulhoso vejo crescer. Citando um trecho da mesma música, "Alegria é saber que Deus, segundo a sua glória e riqueza, faz suprir nossas necessidades, com certeza" (Josué Rodrigues).

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  2. ..."A busca de Deus é a busca da alegria. O encontro com Deus é a própria alegria."

    Muito bom o texto Mima,tds eles estão ótimo...

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  3. A alegria? Não sei descrever... Hoje eu me soube alegre quando lembrei que não pertenço a este mundo. Acho que a tua resposta resume bem. Nunca perder o amor a Deus, nunca nos afastar do Seu amor. *-* E enquanto temos isso, não precisamos vestir nenhuma máscara, Mima. Porque nossa alegria não é efêmera. Podemos ter um ou outro momento triste, mas "a alegria do Senhor é nossa força" em TODOS os momentos. :)


    Esse é um texto pra ser lido em voz alta. :)

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