sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Por depois da fantasia


Olho contraído, força da luz à brecha da porta.
O velho hábito das longas explicações.
O preto no branco e timtim por timtim.
Dia após dia, palavras arquitetando um paraíso sem fim.
Um cavalo de chifre, um pote de ouro ao fim do arco-íris,
Meninas-fadas e sapos-príncipes,
Blá, blá, blá, palavras e afins.

Olho contraído e o feixe de luz.
Olhe direito e perceba o que há, fato, agora e aqui.
Apague a luz do que nunca existiu.
Espere ansiosa a porta toda se abrir,
Das flores, dos cheiros, dos bichos, do vento
Do que existe no seu próprio jardim.
Palavras e blablablás não entram ali.
Só ficam você, o que há e fim.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Intensamante



Eu sinto saudade sem sentir
Tamanho desejo de ser intensa
Eu chego a amar sem saber
Tanto que anseio aprender.

Eu pinto cores nas palavras
Tamanho desejo de ir além
Eu seco rios e abro fontes
Tanto que anseio fazer-te bem.

Eu corro léguas, salto abismos
Tamanho desejo de teu sorriso
Eu faço tudo se for preciso
Tanto que temo correr riscos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Amigos d'alma

Esperança vez em quando faz bagagem
Expira cansada e sai pela estrada.

Esperança corre desorientada
Fugida, perdida, desolada.

Esperança se lembra do tempo que foi
Recua... mas nem sempre retorna.

Esperança espera exausta pelo caminho
Encontrar perdão, que se perdeu sozinho.

Esperança e perdão separados
Dois universos despedaçados.

Esperança e perdão de braços dados
Descanso e força aos sonhos traçados.

Para vida existir, perdão.
Esperança, para a vida seguir.

Colorida


À colorida Andressa ---Dessinha---

Doce menina doce
Desce menina e dança
Desfila sutil e disfarça
Sorriso por entre as flores.

Disse que nada disse
E, misteriosa, se enconde
Se colore, se camufla
De sua história, nada me conte.

Desce, dança, encanta
Deixe que a vida te cresça
E, até lá, que ela só te floresça.

Apenas, doce menina,
Seja colorida assim
Nem mude, nem emudeça.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Identidade

Pernas e mãos num abraço angustiado. Eu tento arcar com tudo o que sou. Luto com o fato de não ser mais quem sou - ou quem fui - ou quem pensei que eu era. Luta livre com a minha própria identidade. Mas se eu vencer, eu sou a derrotada. Tremo no compasso adulto de admissão da minha humanidade. A vaidade do que eu faço, do que não, do que almejo e do que deveria. Vivo. Morro. Sobre - vivo. Sobro viva exatamente neste lugar do espaço.

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