sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Poema de um aprendiz do descanso

Querendo recorrer ao portal do que viria
Coração-angústia apressado corria
Procurava uma saída
A chave certa, um mapa guia
Estrela no céu, placas na estrada
Bússula, setas, códigos, desenhos nas paredes
Sinais de fumaça, aviões, um farol aceso
Qualquer direção
Apoio ao meu sonho, fascinação
Querendo certezas, um lugar seguro
Coração-pressa angustiado seguia
Numa corrida sem valia
Que só seguia e seguia
Sem chegada, sem lembrança
Do ponto de partida
Querendo o porto
Só achei oceano
E oceano é oceano quase sem medida...
Querendo descanso
Coração-cansaço se entregou à Vida
Saiu de foco o que viria.
Tudo, afinal, o que coração queria
Um afago, um lugar-calmaria
Uma nuvem fofinha onde descansar.
No lugar da espera, do sonho aquietado,
O Caminho, na Verdade, é a própria Vida
Só eu não sabia, sonho terno silenciado,
Vida ensina nova rota, cada outra trilha
E tudo é novo todo dia,
Sonho sem retas, resguardado.

sábado, 19 de setembro de 2009

Sei lá o que é...

Só sei que...

quando vejo uma fotografia, meu riso se abre doce.
quando reconheço a letra, me sinto orgulhosa.
quando escuto uma música, minha memória se acende.
quando me acordo, confiro o celular.
quando releio os escritos, releio e releio e releio...
quando penso no hoje, sinto alegria.
quando penso no amanhã, sinto felicidade.
quando me deito, relembro.
quando lavo a louça, escuto "Último Romance".
quando vejo um menino levado, lembro do Zé do meu pé de laranja.
quando escuto Jota Quest, recordo.
quando escuto Ana Carolina, fico saudosa.
quando ouço Djavan, penso num amor puro, puro, puro...
quando me cubro em poesia, piso no chão de Nárnia.
quando penso em amor, construo.

e se não é, então o que é?

De acordo com Jemima...

"O amor é igual a água. Nunca se acaba. Muda de estado."

Versos perdidos

Os versos que joguei fora
Tentando fazer poesia
Ao infinito mergulharam
Poesia perdida, poesia esquecida

Tentando poeta ser
Palavras eu combinei
Ficou tudo pelo avesso
No esquecido, então, as lancei.

Por que sempre procuro o poema
Para dizer o que não sei?

Pois nem sequer o poema
Com seu poder de mestre-rei
Conseguiu entender o mistério
Que não consigo escrever.

Mestre-poema nem sempre decifra
O que no coração se entoa
E fica à mercê de outro mestre
O desafio do perceber.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

É saudade...

Mal páro p'ra pensar
Se páro, com ela me deparo
Saudade do que virá

Estática feito retrato
A memória emerge
Páro p'ra admirar

Saudade e suas artimanhas
Fico lá p'ra me reparar
Páro p'ra me sentar

Saudade faz boa sombra
Páro p'ra descansar
Reparo na cor do riacho

Saudade criou raíz
E eu, para onde?
Finjo que vou, eu aqui

Saudade é o bosque inteiro
O tudo e o pelo meio
O que me resta é sentar

Por aqui eu vou ficar
Esperar na sombra do lembrar
Lembrar o que só posso esperar

A brisa em meus pés
A terra em minhas mãos
Raízes no coração

Os olhos eu sei lá
O riacho em meus olhos
É saudade, é saudade...

Mais nada.

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