quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Noite
Eu só vejo o céu
Só quero ver o céu
Eu só penso nele
Só quero dele
A luz, o silêncio
As formas, a mesmice
O brilho das estrelas
A lua das poesias
As cantigas, as histórias
Sua muita ispiração
A espera, a demora
Sua manifestação
E então combinação
Pura Fascinação
De mar, de terra e céu
Aroma da criação
Eu só quero mesmo é essa contemplação...
E não é sem razão
Eu fico, sim, a divagar
Por que não?
Olha esse luar... Luz de brilhar...
Eu só quero esse lugar
daqui de baixo ou do lado de lá
Pra que possa admirar
A noite, o cintilar...
Noite de parar...
Humanidade
A imagem da rua embaçada toma espaço lentamente no olhar entreaberto do menino. É mais um dia que deu pra nascer. Ah, não. O relógio nem sequer o vê. As horas não passam. Pode ser hoje à noite, ou amanhã, quem sabe. Tem que escolher qual o melhor lugar. Pedir, correr, matar, morrer. Indeferença. Me enxotaram de novo, mãe. Podia ser esconde-esconde, jogo da velha, pega-pega ou futebol. Mas é viver. Pra quê? Ou até esquecer. É a fome que não me deixa fazer. Ah, não esquecer: Fala pro Zé avisar a minha mãe que eu tentei. Andar, e andar. Pedir, sentar. Olho as sacolas. Que tem aqui? Amanhã tô aqui de novo, dona Maria. É, pode ser. Só se Deus quiser. Varrer a área. Já tá em cima do dia. Talvez, pode ser. Quem garante que não? Você? Pode ser. Tudo pode ser. Não vê? Voltar outra vez. Enfim, uma calçada. É aqui que eu fico. Meu Deus, meu Deus, eu só te peço isso: Que amanhã o dia não nasça. Mas se nascer, meu Deus, que eu não. Mas se for o jeito, meu Deus, faz o dia ser camarada comigo. Que seja tudo diferente. Não esquecer: Sonhar com o dia de amanhã. O dia de aman... zZzZ. Nasceu. Ih... Um chutezinho de leve nas costas... Acorda, menino! É o dia camarada? Ah, é só a dona da calçada.
Que o dia nasce, nasce. Que o dia acaba, é fato. E o que vivemos? Um eu vazio de outro eu, que se conforma com o mundo que se forma na forma de si só. A vida que não segue além de si é morte que dá dó. A morte de viver pra além de si é vida vivida, dividida, repartida, produzida em sintonia com o redor. É o que forma a sinfonia da vida do pó, do homem que não foi criado pra ser só. O mundo é o que vemos em redor. A vida são as cores do lado de lá, de cá, dali, dacolá. Dá uma olhada lá na calçada...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Liberdade
Cruzando o tempo, daqui se vê
Muito negreiro vendendo o que
traz escondido em seu mau querer
áfricos, tráficos, vida e ser
Varando as ondas, escuto a dor
Feito um lamento: ai, meu Senhor!
Onde a razão trata do furor
Canta a vingança da clara cor
Por todo o mar, liberdade
Há muito tom de verdade
Cada lugar do oceano
Faz onda como desejar
Todo escravo é desejo a fim
De espaço aberto de além de si
Vive na espera de ser feliz
Na volta à terra de seu país
Toda corrente é quimera só
De quem pretende guardar a nó
A força, viva de um ser menor
À força, a vida de um ser melhor
Todo negreiro é navio mercê
de muitas ondas
de outro querer
Quem prende alguém
a qualquer dever
Torna-se escravo até sem saber
Quem é mais livre: corrente ou pé?
Mordaça, voz, sombra ou luz até
Eis o silêncio a resposta é:
Livre é quem vive de fé em fé

