quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Linhas


...nossos destinos desenhando espirais...
Márjorie Estiano
Dei voltas e voltas. Esbarrei.
Algumas vezes, tentando fugir.
Outras vezes, querendo mesmo esbarrar.
Menti pra mim.
Eu queria acreditar.
Acreditei.
Mas hoje? Hoje os espirais parecem se desfazer...
Como duas linhas desenroladas
Seguindo na losa, sem fim.
Sem fim...
Até que venha um novo começo
Quando surgir o despontar de um novo dia
E o sol anuncie o tempo
De acordar do sonho
Que acreditei real.
Sonho. Apenas.
Mas o sol vem...
E vai ser um bom dia.
Um dia bom, um novo dia!
Quem sabe as linhas se encontrem
Sem desencontros mais
Como eram os velhos espirais...
Quem sabe se unam e sejam uma
Descobrindo paz...
Quem sabe, não.
Quem sabe encontrem no infinito
Outras linhas.
Quando surgir novo dia
Quem diria que isso eu diria
A gente vai ver...
Bom dia, meu bem, bom dia...
Amo você, meu bem, quem diria..

Faz tempo...

uau! Como faz tempo que não escrevo nada aqui...
Bom, estar de férias me dá certo sentimento de liberdade e isso me faz querer ficar realmente livre, rsrsrs! Livre de obrigações, de hábitos, de tudo. Mas, me deu uma vontade de escrever hoje... nem sei o quê, nem pra quê...
Estou lendo o Sermão do Mandato, do Padre Antonio Vieira, e estou ficando encantada com o amor infinito de Deus. Digo "encantada" e não "cada vez mais encantada" porque falar do amor de Deus e ouvir sobre ele tinha se tornado tão comum pra mim que não havia mais encantamento ou maravilhamento algum... eu sabia com a razão do Seu infinito amor, mas não parava pra pensar no que significa o "infinito" desse amor... estou descobrindo de novo... pelo olhar do Padre...
Estou lendo também Convite à Loucura, de Brennam Manning. Agora que terminei o primeiro capítulo. Busquei ler esse livro porque não aguentava mais fugir de Deus, como eu estava fazendo. Ainda estou lutando contra a imundície de mim mesma pra ser fiel e me expor ao meu Deus. O livro, pelo menos, até agora, tem me ajudado nisso. "Verdade", o título do primeio capítulo, me faz refletir sobre o quanto de verdade há em minhas palavras e atitudes. Chegar-se a Deus implica em olhar pra si mesmo com verdade, reconhecendo quem se é em realidade, ainda que seja uma criatura miserável e infiel como eu.
E, por fim, estou lendo também Alice no País das Maravilhas, tentando encontrar pontos e passagens pra adiantar minha monografia. Ontem à noite, estava lendo Alice na cabeceira da cama e acabei entrando no país das maravilhas quando vi um coelho branco correndo bem à minha frente... rsrsrs! Só que não tive paciência de entrar na toca não... fiquei bem antes... haushaush! zZzZzZzZ.. Alice me encanta, mas as notas ao lado (tenho a edição comentada) às vezes me assustam, com tanta explicação e mistério... só queria ler Alice e falar sobre o livro por ser tão encantador... mas tanta gente dá palpite e quer explicação pra tudo (mania feia de adulto) que o encanto infantil fica camuflado na estória...
Querido Diário, digo, Bloguinho, com todas as suas flores e flechas, deixo você agora para viver a vida real aqui fora (férias não me dão tanta liberdade assim... ainda sou a filha mais velha e tenho o que fazer dentro de casa..). Comporte-se com os meus poucos leitores, portanto.
Com carinho...
Eu

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Moça de Vestido


Teu vestido florido
Cabelos ao vento
E o céu cinzento

Olha pro céu
Teu solo rachado
Horizonte

Teus espinheiros
Ervas daninhas
Terra sedenta...

Corre, doce menina
Corre até teus campos
Apressa-te e vai!

Olha pro céu, menina
Teu vestido florido
Teus campos

Arranca os galhos secos
Teus espinheiros
Prepara teus cantos

Com as próprias mãos
Deixa sangrar
Não há tempo

Olha pro céu, doce
Cheio d´água
Querendo moiar!

Sorri, menina de vestido
Florido
Teu belo sorriso

Depois de tudo
Quando a água moiar teu riso
As frôr hão de desabrochar!

Teu campo, moça bonita
Vai ser como teu vestido
Depois da chuva em teu piso

Eita que o trovão soou!
Lá vem água, meu amor!!

Meu riso amigo

Deixa, sim, meu riso
Percorrer caminhos
Descobrir saídas
Perfurar meus poros
Encontrar ar puro
Provocar sorrisos
Se sentir seguro
Encontrar afago

Antes Labirinto
Hoje uma portinha
Uma descoberta
Uma porta aberta
Um sorriso amigo
Encontrei abrigo
Foi o teu sorriso
Que encontrou o meu

Risos coloridos
Percorrem agora
Os tristes caminhos
Que trilhei outrora
Hoje pela vida
Amanhã e sempre
Pelas margaridas
Pelo sol nascente

Pela caminhada
Pelo lua acesa
A noite estrelada
A passarinhada
Pelo fim do dia
E o nascer de outro
Pela nossa vida
Pelo nosso corpo


Celebrando tudo
Meu riso sorri
Brada pela estrada
Solta gargalhada
Pois o tempo é curto
Tudo fica escuro
Num piscar de olhos
Chega, sim, o fim

Hoje, então, amigo
Meu riso contigo
Canta um som audível
Sai do labirinto
Do ser escondido
E encontra abrigo
Descobrindo, amigo
O sorriso teu

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Por trás do vidro...

Eu vejo, muito raramente
Ele passando pelas janelas...
Pelo vidro, é claro.
E quando ele passa, eu sinto alegria!
Eu sei que ele sempre vai embora tão rápido...
Infelizmente...
Mas, se você soubesse como me sinto alegre
Não me recriminaria.
Quando eu consigo vê-lo
Por trás do vidro
Eu sinto um cheiro agradável
E saem sorrisinhos de mim
Sinto-me como uma principessa
Como era, antes de ser o fim
Será enfim? Serafim...
Mas, antes que possa fechar os olhos
[Às vezes eu ainda fecho!
Mas não deveria, nunquinha!]
As cortinhas se fecham
E nada mais vejo
A não ser paredes rústicas
Estáticas... de um colorido descombinado
E olho por alguns instantes
As paredes
Sem ele... sem ele...
Onde está? Estará lá?
E fico a esperar
Um outro momento raro
Em que, por trás do vidro opaco
Na parede rústica
Descolorida
Aquele de outrora
Venha e puxe a cortina
E me dê um pouco daquela alegria...
Acho que é melhor eu fechar minha cortina
...
Demora... demora...
Não tem hora...
Sentei... esperei...
Dormi...
E ele não mais apareceu por trás
Do vidro. Opaco.
Minha cortina entre-aberta...

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