terça-feira, 5 de abril de 2011

O Vencedor (Los Hermanos)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

terça-feira, 15 de março de 2011

Instante de vida


Nada como ter amigos. Não amigos, simplesmente. Amigos mesmo. Amigos de verdade.
Outro dia conversávamos sobre a brevidade da vida. Foram longos dias partilhando histórias de amores, dores, temores, rancores. Feridas que sangram nos deixam sempre concentrados nelas. Dias sem paz, e o abraço era mais uma tentativa de acolher-nos mutuamente, e soava como uma esperança de que, de alguma forma, pudéssemos sentir que ainda existe um abrigo, em algum lugar. A dor ainda latejava. E não digo que ainda hoje a ferida não sangre. Mas aquele dia foi diferente. Eu disse que falávamos sobre a brevidade da vida. E, logo, o assunto virou pauta para um turbilhão de boas palavras. Seria uma bússula divina? Olhamo-nos por um novo prisma, ainda que por um segundo. Contemplamos, por um instante, a nossa vida inteira e, naquele momento ímpar de nosso breve existir, a liberdade nos preencheu. Não apenas isso. Não sei se dá para abarcar o que sentimos em linguagem. Tínhamos um norte no meio do escuro da dor. E a vida pareceu plena, por um instante. E uma estranha força fluía de nós, como um pássaro que não faz esforço para voar. E eu pensei, por um segundo, que não posso deixar escapar de meus dedos a chance de viver. Quando falo em viver, falo em mais do que existir dentro das circunstâncias, numa corrida sem reflexão, sem percepção. Falo em encontrar um sentido para essa breve existência, escolhendo respirar fundo para rir melhor, fotografar beija-flores no jardim, olhar nos olhos, ler muito, correr e sentir o vento e até o cansaço, escrever bilhetes anônimos para alegrar o dia de alguém, amar a própria imagem refletida no espelho. Falo de focalizar a intensidade - outrora dispensada na dor - em tudo aquilo que Deus criou pensando em nós. E a poesia viva tomou conta de cada pedacinho da nossa breve vida. Curta vida. Curta. Viva. O instante da vida.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Conselho II

"Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela."
Provérbios 30.18,19


Não me digam que o amor não existe. Não me digam que pessoas são números. Não me digam que tristeza vem e vai. Não me digam nada que não sabem. Não me contem nenhuma mentira, porque mentira não alivia nada. Não me contem fábulas românticas, não me importunem com ilusões. Não me amem sem amar. Não me falem sem pensar. Não me escondam a verdade. Não me dêem nada pela metade. Não me aconselhem. Não me consolem.

Mas se quiserem fazer mesmo alguma coisa,
não me abandonem. Só.

Conselho

Se você não tem nada a dizer, não diga nada.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

---Por Cecília

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

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